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Onde o tempo parou

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Há 90 anos, no dia 25 de agosto de 1928, o presidente Washinghton Luís inaugurava a primeira estrada asfaltada do Brasil, ligando o Rio de Janeiro à cidade imperial de Petrópolis. Na solenidade de inauguração, afirmou que ?governar é construir estradas?, uma frase que marcou época, mas virou emblema de uma mentalidade de governo que persiste até hoje e se reproduz como um arcaísmo que o tempo ainda não resgatou. Naquele tempo, a frase de Washinghton Luís fazia sentido para um País cujo território continental precisava ser interligado de forma mais eficiente. Porém, pouco a pouco passou a simbolizar a ideia de que governar é basicamente trabalhar em ações quantitativas, fazer obras, de preferência bem visíveis, que possam ser inauguradas em um único período de governo e antes das eleições. Levada à sua lógica mais estendida, essa mentalidade nos faz vítimas de um modo de administrar que converte as construções físicas, via de regra, no instrumento mais usual da corrupção e, como consequência, na fonte mais comum dos desmandos e da ineficiência administrativa representada nos projetos malfeitos, sem planejamento adequado, superfaturados, de execução frequentemente inacabada e de baixo retorno e aproveitamento. Conectada aos vícios do presidencialismo obsoleto e sua falta de continuidade gerencial e ação estratégica de poder, a cultura dos ?tocadores de obras? veda as possibilidades do avanço da gestão pública de qualidade e o resultado a colher são as ferrovias inacabadas, os investimentos feitos pela metade, as construções abandonadas e os megaprojetos polêmicos e de retorno duvidoso. No debate eleitoral em curso, a questão aqui tratada não parece figurar no horizonte dos candidatos e candidatas, sobretudo no contexto da eleição presidencial contaminada pelas polarizações estúpidas. E nesse aspecto o Brasil continua parado no tempo. O século mudou e nós ainda não aprendemos nem a planejar, nem a monitorar e muito menos fazer gestão pública participativa, democrática e de alta eficiência.

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