Opinião
O Brasil precisa de paz
O traiçoeiro atentado a Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, candidato líder nas pesquisas e provável presença no segundo turno, é mais um ato de extrema e injustificada violência em uma campanha eleitoral que assume características de verdadeira guerra. Nada, absolutamente nada, justificaria esse ato extremado do qual foi vítima o candidato do PSL, reflexo da barbárie que ameaça tomar conta de uma nação já por demais atolada em problemas. A História mostra que atos políticos e administrativos tomados ao sabor das emoções, principalmente aqueles que tiveram como objetivo maior o castigo do adversário, obtiveram consequências extremamente funestas, sendo um dos maiores exemplos, o Tratado de Versalhes ? conjunto de ações resultante do consórcio de nações que ganharam a Primeira Grande Guerra Mundial ?, o qual, através de pagamentos de reparos de guerra monumentais e outras humilhações, submeteu a derrotada Alemanha a uma situação econômica e social caótica, que evoluiu para a hiperinflação, radicalismos e extremismos políticos, que resultaram no surgimento de um salvador da pátria, Adolf Hitler. O resto dessa tragédia não precisa ser lembrada. A evolução da campanha até agora demonstrada pelas pesquisas dos diversos institutos, mostra a probabilidade de um segundo turno entre Bolsonaro e a esquerda, um resultado previsível dentro da realidade política/ideológica nacional. Uma fração relevante do eleitorado renega essa possibilidade por presumir estar a esquerda eliminada da vida política nacional, visto os desatinos do governo petista. Ledo engano, a esquerda está viva e atuante, aqui e em diversas partes do mundo, embora de maneiras muito diferentes. O estrato do eleitorado brasileiro mostra que ele é predominantemente de centro, com variações à esquerda e à direita. Estando as duas extremas, direita e esquerda, com cerca de 40% dos votos. Contudo, a atual eleição, como era de se esperar, transcorre em um clima de grande polarização e predominância da emoção no confronto com a razão. Os candidatos mais identificados com o centro moderado, Alckmin, Álvaro Dias, Amoedo, Henrique Meireles, até agora não pontuaram para respaldar essa premissa da estratificação. Forte sinal de que a corrupção entranhada na vida nacional impregna o eleitorado na forma de uma justa indignação que os envolve profundamente no emocional, reduzindo o espaço para o racional e a identificação política esperada pelos estudiosos. Espera-se que a razão tenha espaço nessa eleição, disputando espaço com a emoção, e que sobreviva com força depois dela, apaziguando os ânimos. O País precisa de paz e coexistência pacífica entre os contrários. Os desafios que aguardam o novo presidente são superiores à capacidade de qualquer governo para superá-los. Será preciso a mobilização da Nação para tamanha tarefa, e um presidente devidamente preparado para liderar esse dificílimo processo.