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Opinião

Os indignados e a eleição

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As pesquisas mostram que a liderança de Bolsonaro na corrida eleitoral, sem a presença de Lula, deve-se em grande parte aos muitos indignados que identificam a corrupção como a principal mazela nacional e o Partido dos Trabalhadores como o principal veículo propagador dessa praga, indignação essa que é acrescida enormemente pela estratégia de manter Lula como perseguido político e candidato à Presidência. Não é de se estranhar que essa voluptuosa indignação e sua justa vontade de enfrentar tamanha mazela e muitas outras sedimentadas cruelmente na realidade nacional seja emulada com vigor e rigor draconianos. Na sua grande maioria, esses indignados são pessoas que trabalham duramente e não usufruem das benesses do Estado paquidérmico e perdulário para manter suas famílias e seu modus vivendi. As soluções propostas por Bolsonaro para resolver tão sedimentados males da realidade brasileira, contudo, vão do armamento da população, ao retorno dos militares, como o confronto com a mídia convencional. Soluções autoritárias, tão tentadoras quanto passíveis de dificultar a indispensável mediação liberal na soma de esforços para tentar resolver tantos e tão gigantescos desafios da nossa realidade. O Brasil atual é composto por uma sociedade muito complexa, de valores plurais, cuja coexistência pacífica somente se dará na medida em que se possa conviver pacificamente com essa diversidade, superando a tendência ao confronto e aniquilamento dos antagônicos ao seu universo de valores, desde que exista um objetivo comum, no caso o enfrentamento das maiores mazelas nacionais, como o desemprego, os privilégios da elite dos servidores públicos, e o tamanho Estado, entre tantas outras. O encontro deste modus vivendi será fundamental na estabilidade brasileira. Confúcio, em sua obra Colóquios, 500 anos antes de Cristo, afirmou: ?O moderado raramente se perde?. As inúmeras mudanças que se fazem urgentes no Brasil, tendo a Reforma da Previdência como uma das mais urgentes, precisa de lideranças fortemente equilibradas e rigorosamente moderadas, que consigam avançar pelo convencimento e com o indispensável apoio da mídia. A história repetidamente mostra que as mudanças graduais são muito mais efetivas do que as bruscas. Qualquer um que seja o eleito para a Presidência terá um eleitorado pessoal minoritário e pouca força própria real para implementar as reformas que o Brasil tanto necessita. Precisará conquistar maioria no Congresso e a opinião pública, o que a História recente do País mostra que é um processo muito difícil, mas não necessariamente fisiológico e desonesto. Precisa de autoridade e suficiência administrativa, e não de autoritarismo. O risco de retrocesso é imenso. O presidente eleito precisará conversar com todos os espectros da fauna política, até mesmo a oposição precisará ter o indispensável apoio na mídia convencional para que essa relação com o Congresso não seja promíscua, não pode vender a ilusão de que governará somente com as redes sociais. Muitos são os brasileiros indignados com a realidade nacional, mas nem todos acreditam que Bolsonaro e suas soluções autoritárias são a solução para enfrentar as grandes mazelas e desafios nacionais.

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