Opinião
Sa�de e desafios
O estudo inédito sobre doenças no Brasil, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica as causas externas como responsáveis por 10% dos anos perdidos pelos habitantes do País. Os resultados completos do trabalho deverão ser divulgados hoje, mas só os primeiros dados, revelados ontem pela Agência Estado, mostram o impacto da violência e da criminalidade sobre a população, e são suficientes para provocar medidas destinadas à eliminação de vários problemas graves neste e outros setores do poder público. Segundo uma das coordenadoras do trabalho, a pesquisadora Joyce Schram, ele dividiu doenças e causas externas em três grandes grupos. O primeiro formado por doenças infecciosas e parasitárias, condições maternas e perinatais, deficiências nutricionais. O segundo grupo foi formado por doenças não-transmissíveis e o terceiro, por causas externas. Ao todo, foram 110 tópicos, chamados pelos pesquisadores de agravos. ?A pesquisa calcula não só os anos perdidos, mas também os anos vividos com incapacidade?, explicou. O item é de fundamental importância, diz Joyce, para se estabelecer prioridades de atendimento à saúde e prevenção das doenças. Inclusive, ela aponta o Nor-deste como a região onde as pessoas mais perdem anos de vida por causa de mortes prematuras. Em todo o País, as causas de mortalidade apresentaram diferenças importantes. O primeiro grupo de doenças foi bem mais importante nas regiões Norte e Nordeste. Já as doenças não-transmissíveis foram as causas mais freqüentes no Sul e Sudeste. Além da violência, dois aspectos chamaram a atenção da pesquisadora. A importância das doenças mentais - fundamentalmente a depressão - nos anos de vida com incapacidade dos brasileiros. E também o impacto provocado pela hepatite C. ?Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio. Pacientes têm cirrose, depois câncer de fígado e entram na fila do transplante. Ou seja: implicam tratamento de alto custo e alta complexidade?. Esperamos que com mais esse estudo, a saúde passe a ser, realmente, um direito de todos. Com o aperfeiçoamento, cada vez mais necessário, das conquistas e avanços registrados nas últimas décadas, e o combate para valer de coisas inaceitáveis como a falta de leitos nas unidades de terapia intensiva de hospitais públicos, que já causou a morte de mais de dez pessoas nos últimos dias, só em Fortaleza. E as crises que se agravam nos estabelecimentos que prestam serviços pelo Sistema Único de Saúde em decorrência da defasagem dos valores pagos pelos atendimentos, afora outros fatores.