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Opinião

Momentos memoráveis da profissão

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Domingo à noite, procurando na TV um canal que tivesse um programa consistente, deparo-me com uma interessante reportagem, feita pela Rede Record. Tratava da importância que o plantão de emergência 190 tem para a população. Focaram nas ajudas obstétricas, em que os policiais treinados orientam, por telefone, as mães em trabalho de parto. Foram mostrados inúmeros casos inusitados, em que as parturientes não previam a antecipação do parto. As mamães foram ajudadas pelos pais, vizinhos ou pessoas que as cercavam. Relembrei, assim, um momento singular. Há 43 anos, retornando do Hospital Universitário, onde cursava o 5º ano de Medicina, ao chegar em casa, fui surpreendida por uma cena inimaginável. Três mulheres carregavam uma quarta, que entrava em trabalho de parto. Foram à porta de nossa casa pedir uma ajuda ao Cícero, que sabiam ser médico e muito generoso. Naquela hora, dificilmente, meu inesquecível marido se encontraria em nossa casa. Pedi ajuda a nosso gentil vizinho, sr. Isaac Mendes, pai de nossa amiga, dra. Hélia Mendes, que, felizmente, estava entrando em sua casa, ao lado da nossa. Sr. Isaac foi logo abrindo a porta de seu carro. Era um Fusca (Volkswagen). Estendi meu jaleco sobre o banco traseiro do carro e, com ajuda das três acompanhantes, acomodei a paciente. Sentei-me no banco da frente ao lado do sr. Isaac. Aliás, não sentei, fiquei de joelhos, voltada para a parturiente. A cena era hilária, se não fosse dramática! Nosso vizinho, já com idade avançada, não sabia se aumentava ou diminuía a velocidade do automóvel. Sua ansiedade era visível. Nós morávamos na Rua Clarêncio Jucá, perpendicular à Av. Fernandes Lima, no Farol. Pedi ao gentil motorista que nos levasse à Santa Casa. Ele optou por descer pela Ladeira dos Martírios, onde o parto começou! Recordo-me que, em frente à Praça, a criança nasceu! Percebi que o choro do recém-nascido angustiava, ainda mais, o Sr. Isaac. Eu dispunha apenas, de meu jaleco, que estava sob a parturiente. Retirei-o, cuidadosamente, e, ainda de joelhos, envolvi a criança. Acalmei o Sr. Isaac, pedindo que continuasse nos levando à Santa Casa, onde haveria assistência para mãe e filho. Em lá chegando, os seguranças e eu ajudamos a carregar mãe e filho para os devidos cuidados médicos. Aguardei, então, meu marido chegar em casa, e, via telefone fixo, solicitei-lhe que viesse fazer uma avaliação clínica no recém-nascido. Fico imaginando, hoje, como tudo teria sido mais fácil se tivéssemos acesso ao telefone celular. Recordo-me, com carinho, de vários momentos memoráveis da profissão...

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