Opinião
Tempos de discórdia?
Estamos sendo incoerentes e intolerantes e não percebemos que assim agindo, nos tornamos radicais. Algum problema nisso? Todos. O radicalismo significa antes e acima de tudo a incapacidade da convivência e a ignorância em estado bruto por nos tornar, ao mesmo tempo, autores e vítimas, intransigentes e inflexíveis. Deveríamos aprender com o Mahatma Gandhi que ?a raiva e a intolerância são as inimigas gêmeas da compreensão correta? e que sem isso seremos apenas animais irracionais gritando para ouvidos moucos, pois a sua compreensão do fato não será imposta ao outro. Para isso é preciso tempo, pois só o tempo é capaz de maturar ideias e conceitos, lembrando que pode ser o outro que um dia virá a lhe convencer de que ele estava certo e você, sim, estava enganado. O atual momento político está indispondo amigos, parentes, colegas, conhecidos e desconhecidos apenas e tão somente em razão de um fato, e esse fato é o de que a outra pessoa não pensa como você, ousa discordar de você, argumenta contra seus argumentos. Pronto! Tome briga, rompimentos, agressões verbais, etc. etc. Nos grupos de WhatsApp alguns se exasperam, xingam, saem do grupo (sic) e o mesmo acontece com o Facebook. As redes sociais de convivência demonstram o quanto somos despreparados e pouco educados para essa tal de convivência respeitosa, pacífica e tolerante. Sim, eu acredito no candidato senhor X, defendo suas ideias e ideais, mas, pensando bem, não vou me indispor com uma colega, amiga ou parente por ele (a) defender o candidato senhor Y. Afinal, eles nem sabem que nós existimos! Eu tenho, sim, a obrigação de recordar a mim mesmo que o que me parece melhor, mais apropriado ou até perfeito hoje, pode se revelar imperfeito ou o pior do amanhã, até mesmo uma baita decepção. Esse filme, nós brasileiros já vimos. O fato é que independentemente de crenças políticas ou ideológicas, eu devo ter a consciência e inteligência de que, mesmo discordando, nossas vidas continuarão e o futuro, esse tão inconstante e mutável momento, não perdoa nossos erros. Como disse o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman: ?Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar?. Então, você que me lê agora, não caia nessa e mantenha os seus amigos e as suas relações, pois nenhuma eleição ou convicção vale mais do que um sentimento sincero e respeitoso. Afinal de contas, Shakespeare tinha razão quando afirmou ser mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.