Opinião
As crianças merecem nossa atenção
O Brasil é um país superdesorganizado e no meio dessa desorganização encontra-se a nossa criança. Temos atualmente 35 milhões de crianças abandonadas em nosso País. Esperamos que os próximos governantes olhem com profunda dedicação a situação da criança brasileira. O Estatuto da Criança recomenda, entre outras coisas: ?Que a criança tem direito a proteção, para o seu desenvolvimento físico, mental e social; que a criança tem direito a alimentação, moradia e a assistência médica adequada para ela e sua mãe; tem direito ao amor e a compreensão por parte dos pais e da sociedade?. Vejam que temos muitos caminhos a percorrer ainda. Os Conselhos da Criança e do Adolescente têm trabalhado muito visando o bem-estar de nossas crianças, assim como a Unicef. Diz uma lenda que um jovem desejoso de vencer na vida perguntou a um sábio chinês: ?Mestre ? ensina-me a arte de viver! E o Mestre respondeu: ? Se queres um fruto em 6 anos, planta um grão de arroz. ? Se queres um fruto em 3 anos planta um laranjal! Mas se queres o fruto em um século, educa uma criança. É uma pena, mas um contingente imenso de nossa população infantil vive à margem do progresso econômico e social. As crianças negligenciadas ou maltratadas têm pouca autoestima e um frágil senso de identidade, e crescem sem saber o que querem ou que poderão se tornar. E serão tristes, medrosas, emocionalmente vazias e ao mesmo tempo agressivas e com raiva reprimida. Mais cedo ou mais tarde os conflitos no seu íntimo e no seu relacionamento familiar e social explodirão em toda a sua grandeza. Dessa forma, é extremamente importante que se quisermos produzir melhores pais e uma sociedade melhor, sejamos cuidadosos sobre como criarmos nossos filhos. A vida nos ensina que tudo o que aprendemos em nossa infância vai conduzir nossa vida. Educar um filho é um problema de comunicação com ele. Depende de nossa capacidade de ver, de ouvir e principalmente de sentir. Sentimos que a cada ano encontramos um maior número de crianças espalhadas pelas ruas, pelas esquinas, pelas praças de todas as cidades brasileiras. Como serão essas crianças no futuro? Submetidas a toda sorte de agressões, abandonadas, punidas injustamente desde pequenas, crescem portadoras de conflitos de amor, de proteção, de compreensão e confiança. As crianças que vivem nessa situação, e que são muitas, infelizmente, têm baixa autoestima e um frágil senso de identidade, crescendo sem saber qual o seu futuro. Serão tristes, medrosas ou agressivas, emocionalmente instáveis e algumas vezes deprimidas. Mais cedo ou mais tarde, de acordo com os acontecimentos tristes que viveram na infância, ao atingir a faixa da adolescência, explodirão de acordo com as agressões sofridas. É uma tristeza, é surpreendente como o Brasil joga fora todos os dias um imenso tesouro que é a segurança de seu futuro, representado pela sua criança.