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Opinião

Frustração

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou ontem a previsão de crescimento do PIB do Brasil para 2018 e 2019. Segundo o Ipea, o PIB, que é a soma dos bens e serviços produzidos no País, deve crescer 1,6% neste ano e 2,9% em 2019. Na previsão anunciada três meses atrás, o instituto estimava altas de 1,7% e 3%. Já no início deste ano, o Ipea projetava crescimento de 3% nos dois períodos. Para o Ipea, o cenário se deteriorou ao longo do ano com a perda de confiança do mercado na continuidade das reformas e também com a greve dos caminhoneiros, em maio. Com as regras em vigor hoje, o instituto prevê que somente em 2023 o Brasil terá superavit primário. O principal fator apontado como barreira para impedir a retomada do crescimento é o cenário fiscal. Em agosto, o IBGE já havia revisado para baixo os dados do crescimento do País, mostrando um PIB mais fraco do que o que se acreditava com os dados disponíveis até então. No primeiro trimestre do ano, em vez de um crescimento 0,4%, o PIB do período oscilou apenas 0,1% em relação ao quarto trimestre do ano passado. Nos últimos três meses de 2017, em vez de uma expansão 0,2%, o PIB ficou no zero a zero. Pelo lado da demanda, entre os principais fatores de frustração está o consumo das famílias, que representa 60% do PIB e cresceu apenas 0,5% em relação ao trimestre anterior. O resultado fraco se deve ao desemprego mais elevado. O Brasil tem dificuldade para criar vagas, especialmente com carteira assinada. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou alguma recuperação na ocupação desde junho do ano passado, entretanto a retomada se dá por meio do trabalho informal e do trabalho autônomo, categorias mais precárias. Se a renda sobe menos, o crédito também não alavanca o consumo, apesar de as taxas de juros terem sido reduzidas. O cenário eleitoral também contribui para a incerteza no campo econômico, e as propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência parece estar mais no campo da boa intenção. O mais grave é que, sem a geração de emprego e renda de forma sustentada e crescente, fica inviabilizado o combate aos problemas estruturais do Brasil. Com isso, aumentam os bolsões de pobreza, onde impera a exclusão social e a desigualdade em todas as suas formas.

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