loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Intolerância e ódio nas redes sociais

Ouvir
Compartilhar

O tempo é das mídias sociais. Instagram, Twitter, Facebook são tão populares como qualquer meio de comunicação. Nesses espaços tem sido comum a discussão de que o País vive o período de maior corrupção da história, reflexo do debate sobre investigações em curso. Nas redes sociais, entre os temas que dividem as pessoas, o mais discutido são os últimos governos do Brasil. De um lado estão os que consideram que o fim do mundo começou há poucos dias, e de outro estão os que se posicionam na condição oposta. Nos dois lados se observa a discussão superficial sobre a origem corrupção existente no País. O que acontece nos dias atuais são vícios que nos perseguem desde nosso nascedouro. Os portugueses, que por mais de trezentos anos levaram a riqueza do País, seriam merecedores de longe qualquer que fosse o título desejado, passando pelo Segundo Império onde os escândalos e corrupção levaram à instalação da república. Nos 130 anos de República não tem sido diferente. Na República Velha, no Estado Novo, na ditadura militar e na Nova República sobram exemplos para os temas corrupção, apropriação e desvios envolvendo governantes e agentes que mantêm relações com o poder. Sobre os últimos governos o debate é duro, divide opiniões e separa amigos e famílias. Situações que refletem a nossa cultura de acirramento nas disputas de posição. No campo das disputas de posição podemos citar o governo Vargas, nos anos 1950, acusado corrupção e favorecimentos. Um tiro disparado a mais de 30 metros de distância, que atingiu o pé de Lacerda na vertical, iniciou o fim do governo marcado pelo suicídio de Getúlio. Ou, para os mais novos, o exemplo de Leonel Brizola apontado como dono de quase todas as fazendas do Uruguai e de gado suficiente para alimentar o mundo e passados 14 anos desde a sua morte não há notícias sobre partição de fazendas uruguaias deixadas por ele. Não faltam exemplos para reflexão sobre as consequências para a sociedade quando se defende a criminalização baseada em denúncias que não se sustentam. Tudo pode, desde que a Constituição permita. Nossas leis não permitem condenar sem provas ou decisões oportunistas do judiciário. Concordar com isso seria querer o fim do estado de direito. O combate a desvio, à corrupção e à apropriação são ações necessárias. De outro modo, a discussão sobre o que fazer não pode ser irracional, ao ponto de todos cegarem em suas posições e no que pensam, e impedir a discussão de modo civilizado e fraterno nos vários segmentos de mídias ou meios de comunicação ao ponto de tornar pessoas antes fraternas em inimigos definitivos, numa disputa de ódios que não leva a lugar algum. Nesses dias em que a informação se torna fluida, parece faltar às pessoas tolerância para se deixar permear pela opinião contrária e capacidade de compreensão, como diz a canção: ?É preciso amor pra poder pulsar/É preciso paz pra poder sorrir /É preciso a chuva para florir?, para, de posse dos vários pontos de vista, se posicionar. Pois, apenas reverberar o ódio e a discórdia nas redes sociais não é o melhor caminho.

Relacionadas