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DOM OT�VIO

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Engalanou-se com júbilo e incontido entusiasmo a igreja de N. Sra., no Tabuleiro do Martins, no último dia 22 de abril. Era uma sentida homenagem ao construtor daquela igreja e organizador da comunidade eclesial do Inocoop, dom Otávio Barbosa Aguiar, bispo emérito de Palmeira dos Índios, que naquela data celebrava 90 anos de uma fecunda existência. Aquela comunidade ele a seguiu de perto e acompanhou pastoralmente até há pouco tempo, isto é, até que suas forças físicas lhe permitiram. Foi assim que dom Otávio conquistou o carinho, a veneração e o agradecimento daquele povo fiel, pertencente à paróquia de Maria Auxiliadora do Conjunto vizinho, Eustáquio Gomes de Melo, que tem por pároco o jovem sacerdote, pe. José Kermes, que organizou todas as festividades. O belo aniversário de 90 anos de vida de dom Otávio é ensejo para mim de rememorar uma longa vida, toda ela dedicada ao serviço da Igreja e dos irmãos, para glória de Deus e salvação das almas. Após ter exercido a função de assistente nacional da JAC (Juventude Agrária Católica), então em pleno florescimento no Brasil, Otávio Aguiar, pároco de Limoeiro em Pernambuco, foi escolhido pelo Sumo Pontífice para bispo auxiliar de S. Luiz do Maranhão, na verde idade de 41 anos, em novembro de 1954. Passou apenas um ano em São Luiz e logo veio ser bispo diocesano em Campina Grande, onde ficou por seis anos. Para o nosso Estado, de onde não mais saiu, veio dom Otávio em 1962, tomando posse da diocese de Palmeira dos Índios em 19 de agosto daquele ano. Foi nesse tempo, o mais significativo da História da Igreja no século vinte, que ele tomou parte em Roma das quatro sessões do Concílio Vaticano II:1962 a 1965. É hoje um dos poucos remanescentes no episcopado brasileiro, que participaram daquele grande e histórico momento da renovação da Igreja e sua abertura para o mundo. Renunciou prematuramente à administração de sua diocese com a idade de apenas 65 anos, quando o Direito Catnônico iria fixar mais tarde, com o desagrado de muitos, a idade-limite de 75 anos. Eu disse de caso pensado ?renunciou à administração da diocese?, porque o serviço episcopal, como todos nós, bispos eméritos, dom Otávio o continuou com ainda maior ardor e élan, desde que se transferiu para cá, acolhido fraternalmente por dom Miguel Câmara, por mim mesmo e agora, pelo meu sucessor, dom José Carlos. Construiu inúmeras igrejas e capelas em nossa cidade, como a Matriz de Maria Auxiliadora, a de S. Paulo Apóstolo no Conjunto Salvador Lyra, a igreja de Santo Antônio no Jacintinho e a Matriz de S. Maximililiano Kolbe, no conjunto Benedito Bentes, onde também organizou a comunidade eclesial, fez a casa paroquial e foi pároco por vários meses. Ajudou os párocos na difícil tarefa de conseguir recursos na Europa para construção ou reforma de suas capelas e matrizes. Tudo isso, além do grande mérito cultural da organização do Arquivo da Cúria e do Museu de Arte Sacra de Marechal Deodoro, do qual foi nomeado diretor pelo governador, tendo declinado da nomeação por julgar antiético receber vencimentos do Estado, sem dedicação exclusiva, caso inédito e talvez até único na administração pública brasileira. Para mim, ele foi uma grande lição de vida nos dezesseis anos e meio, em que tive o privilégio de usufruir de sua amável companhia, de ouvir suas sábias opiniões sobre os problemas atuais da Igreja e do mundo. Prudência, circunspecção e retilinidade foram suas características fundamentais. Sabia escutar, como poucos, sabia aconselhar, como os sábios, sabia calar e ser prudente e reservado, como os verdadeiros líderes. Dom Otávio foi para mim um verdadeiro esteio de meu episcopado em Maceió. A Arquidiocese de Maceió muito está devendo a dom Otávio por tudo que ele fez no período mais longo de sua laboriosa existência, que está sendo, com a graça de Deus, sua permanência entre nós. Deus o abençoe neste brilhante ocaso de sua vida. (q) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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