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Eleições e mídia: problemáticas antigas, novos fatores

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Daqui a poucos dias estaremos nas urnas a votar. Diante do caos instaurado no nosso País, os cidadãos estão se manifestando com mais altivez e estão utilizando as redes sociais para isso. É impressionante como a política envolve e quando o tema não é relacionado a ela, neste momento pré-eleição, sempre tem algum indivíduo que opina mencionando seu candidato, fazendo assim que o assunto nunca saia da pauta. Um importante fato é que com o advento poderoso desses novos sistemas digitais, o usuário tornou-se um produtor de conteúdo, deixando, assim, na rede, vídeos, textos, áudios e tantos outros múltiplos materiais. Todavia, como os valores morais e a ética estão também em crise no contexto brasileiro, com esse background estamos vendo um cenário de agressividade e disseminação de conteúdos que são puro fake. Se eu vejo ou escuto algo que corrobora meu pensamento no campo político, então é extremamente fácil compartilhar, sem muitas vezes ter a preocupação em saber se aquilo é ou não realmente verdade. Alguns jornalistas chegam a querer esclarecer, gerando matérias na tentativa de provar se o conteúdo é falso. Qual a problemática? Com o poder dado ao usuário de ser ele mesmo um produtor, em um País continental com o nosso, perdeu-se o controle. É impossível seguir acuradamente esse fenômeno. Acompanhei casos interessantes em que alguns tentaram convencer seus contatos sociais que o material publicado não condizia com a verdade, fazendo observações coerentes e fundadas em fatos que realmente dão um parecer definitivo, sem deixar dúvidas da veracidade ou não exposta. Porém, muitas vezes, a reação foi de descrédito. A pessoa prefere acreditar no que teve acesso porque aquilo corrobora suas ideologias e visão de mundo. Então, nessa linha de pensamento, o outro, na verdade, é quem está querendo ludibriar. Como jornalista, me questiono quais seriam as vias para transformar esse panorama. O problema se agrava ainda quando companheiros de profissão também produzem fake news, seja na criação de situações inexistentes, seja na apuração insuficiente dos fatos ou uma tentativa de polemizar para atrair a atenção para seu veículo de comunicação. Se a comunidade jornalística servisse de exemplo e estivesse empenhada em noticiar com total ética, já poderíamos ver mudanças. Mas o jornalismo também está em crise. Esperemos. O resultado das eleições será também consequência do gerado pelo boom de informações, falsas e verdadeiras. Precisamos aprender a melhor lidar com isso.

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