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Opinião

As eleições e a realidade da saúde pública

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Enquanto as radicalizações avançam entre eleitores e nos discursos dos candidatos que lideram a corrida eleitoral para a Presidência da República, os números emanados das fontes oficiais que lidam com problemas sociais mostram que o universo de desafios para quem ocupar o Planalto em 2019, se amplifica e se complica enormemente, exemplificado no acréscimo de mais de seis milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, assim como na área de saúde pública, e por ser outubro, especificamente em relação ao câncer de mama. Já vinha observando há certo tempo no concorrido ambulatório do SUS da Santa Casa de Maceió, uma quantidade elevada e crescente de pacientes chegando para tratamento de câncer de mama já com a enfermidade localmente avançada, o que geralmente restringe a indicação da cirurgia como o seu tratamento inicial,consolidado protocolo internacional. Isso se demonstra no alto número de mulheres ? muitas delas bem jovens ? que já chegam com a doença localmente tão avançada que não tem condições de realizar a cirurgia inicialmente e precisam fazer a quimioterapia como primeiro tratamento, o que chamamos de neo-adjuvância, ? felizmente muito efetiva na maioria dos casos ? para reduzir as proporções da tumoração e torná-la operável. Essa situação se esclareceu oficialmente quando o Instituto Nacional do Câncer (INCA) agora publicou que 2/3 das mulheres (entre os 50 e os 69 anos) que deveriam fazer mamografia não o fizeram. Certamente, a não realização da mamografia em 66% das mulheres brasileiras é uma das maiores razões para a cruel elevação do número de casos avançados nacionalmente, fato detectável fortemente aqui nas Alagoas. É indispensável registrar, com muito pesar, que um percentual relevante dessas mulheres que estão chegando com câncer avançado de mama são oriundas da capital do Estado, além do que muitas delas são muito jovens. Essa é mais uma degradação da situação da saúde pública nacional. Muitos foram os retrocessos verificados nos últimos anos no âmbito do SUS, tanto ambulatorialmente como no fechamento de mais de 27 mil leitos hospitalares, principalmente em pediatria e psiquiatria, duas áreas delicadíssimas para a sociedade. Elevam-se dramaticamente os problemas sociais nacionais, enquanto a economia reage pouco e vagarosamente à espera de sinais alentadores que venham das urnas. Quem emergir delas vai precisar de muito equilíbrio e bom senso para priorizar entre tantos problemas, aqueles que são mais urgentes para a população, que está esgotadíssima em seu sofrimento.

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