Opinião
Patrono dos políticos
Quase todas as profissões têm seu padroeiro celeste, que lhes é modelo e intercessor. A época está favorável à intercessão de São Tomás Moro, padroeiro dos políticos, porque estamos em clima de eleição e, desta vez, para eleger presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. O País está todo colorido com propagandas de candidatos, menos do seu patrono, e os eleitores preocupados ou indiferentes com seus futuros representantes no Poder Executivo e Legislativo. Mesmo sem aparecer, sem divulgação através de comitês, adesivos, faixas, legendas, panfletos, slogans, santinhos, outdoors; carreatas, alto-falantes, trios elétricos, recepções com fogos, chuvas pirotécnicas, shows e comícios, São Tomás Moro não é esquecido. Continua na lembrança, no coração e na mente de eleitores esclarecidos e conscientes. Reconhecido como político sério, responsável, inteligente, respeitado, humilde, carismático, corajoso, destemido, polêmico, pai e esposo amoroso, ele foi beatificado por Leão XIII, em 1886, e canonizado por Pio XI, em 1935. Hoje, na igreja, nos altares, venerado pelos fiéis e mais conhecido porque foi proclamado, por João Paulo II, padroeiro dos políticos. A fim de conhecê-lo melhor, a época nos estimula a ler, pesquisar e escrever mais um pouco da sua rica e extensa biografia: nasceu em Londres, em 1478, estudou na universidade de Oxford, foi advogado, estadista, embaixador, pensador, escritor, conselheiro real nomeado e chanceler da Inglaterra, mais alto cargo do reino. Famoso pela sua jovialidade, pelo seu brilho intelectual e político e pela sua obra máxima ? A Utopia ? mundialmente conhecida, na qual escreve uma sociedade ideal, onde haveria justiça e igualdade para todos os cidadãos. Era um homem de total confiança de Henrique VIII, da Inglaterra, querido e estimado pelo Papa, nobres e o povo. Todavia, não tardaram as divergências em vista do plano do rei, que pediu anulação do seu casamento com a Rainha Catarina de Aragão para esposar outra mulher, Ana Bolena. Roma não aprovou o divórcio de sua esposa, então Sua Majestade rompeu com o Papa, declarando-se chefe supremo da igreja da Inglaterra, independente de Roma. Tomás Moro, cristão e católico autêntico, de fé inabalável, não ficou ao lado de Henrique VIII, fundador do Anglicanismo, demitiu-se de suas funções e ficou fiel ao Papa e à igreja de Jesus Cristo. Foi perseguido, preso na Torre de Londres, processado, condenado à morte e decapitado no dia 6 de julho de 1535. ?Desde então, Tomás Moro tornou-se exemplo de indivíduo que coloca a consciência acima dos direitos da autoridade secular (não religioso).?