loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O renascimento da Contracultura

Ouvir
Compartilhar

É possível que o leitor desinformado não compreenda nossa afirmação de que em 1960 a cultura e as artes entraram num radicalismo muito mais amplo que nesse início do século 21. Esse período foi tratado pela crítica como ?contracultura?. Um momento bem mais agressivo para o contexto social da época que o Dadaísmo em 1916. O Dadaísmo, mais que a Contracultura foi uma reação ao academicismo muito forte, a ponto de Duchamp passar a ser um divisor de águas, entre o velho e o novo com sua obra emblemática A fonte. Mas que, no entanto, a repercussão do protesto ensejou apenas a participação de intelectuais, artistas e críticos, sem fazer frente ao populacho, alheio aos colóquios de uma elite consumidora. Consequentemente, esse período é visto apenas como um capítulo da História da Arte, estudado alguns anos depois. Diferentemente, da Contracultura os idos de 1960 trazia a configuração do existencialismo de Sartre, que questiona o papel do homem na construção de sua própria personalidade. Pensamento que, necessariamente, contraria a existência de Deus como figura central à tese. ?Se Deus não existisse, tudo seria permitido? na visão de Dostoievski. Parecido com o que Gaspar Barlaeus escreveu: ?Não existia pecado abaixo da linha do Equador?. Ou mesmo de São Paulo, em sua carta aos Romanos: ?Conheci o pecado através da lei?. E assim Sartre conclui: ?Na falta de um Deus legitimador, jurisprudente, não existe para o homem uma linha de conduta a ser seguida, obedecida à risca.? É diante desse cenário que a década de 1960 esteve aberta a diversos movimentos que legitimaram o período conhecido como Contracultura. O primeiro deles foi o movimento hippie. Este, fazia um paralelo cronológico com a Guerra do Vietnã, que teria iniciado em 1955. O movimento era pacifista sustentado por lemas como ?paz e amor?, ?proíbam a bomba?, ?faça amor e não guerra? e forte apelo contra as armas nucleares. Viviam em comunidades nômades, junto à natureza, com liberdade para a nudez e emancipação sexual e livre uso de entorpecentes. Combatiam o capitalismo, o autoritarismo, a massificação e o militarismo. Rompiam laços com a sociedade tradicional e patriarcal. O mundo atual parece reviver a Contracultura e tem dado sinais de força, em várias partes do mundo, notadamente, no Brasil. No entanto, há um fator novo, que vem contribuindo para que as mesmas ações, que pareciam adormecidas na história do terceiro quartel do século 20, se tornem escândalos no mundo contemporâneo: a comunicação. Com o advento da internet, temas como arte e cultura se tornaram mais próximos das pessoas comuns. E estas passaram a gostar ou não gostar, de acordo com a sua visão pessoal, na dimensão de seu próprio conceito ético, moral e religioso. Um tema para ser mastigado com vagar durante as próximas semanas.

Relacionadas