Opinião
Segundo tempo
Numa das eleições mais imprevisíveis da história, a escolha do futuro presidente da República será definida apenas daqui a três semanas. Na votação deste domingo, verificou-se o fortalecimento da onda Bolsonaro, que não apenas quase leva o candidato do PSL a uma vitória ainda no primeiro turno, como também impulsionou candidaturas País afora. O capitão reformado do Exército só não liquidou a fatura logo de cara porque o Nordeste votou em peso no petista Fernando Haddad, que venceu em oito dos nove estados da região. Com o segundo turno confirmado, espera-se que os dois postulantes ao Planalto aproveitem os próximos dias de campanha para explicitar ideias, projetos e dizer o que pretendem fazer se eleitos e de que forma. Segundo turno faz bem para a democracia, pois permite que os candidatos tenham o mesmo tempo de rádio e televisão para expor seus programas de governo. Além disso, podem participar de debates que os colocam frente a frente. Infelizmente, este primeiro turno ocorreu num clima de forte agressividade, mais ainda do que na disputa de 2014. A animosidade entre os eleitores dos principais candidatos tomou conta principalmente das redes sociais. No lugar de ideias, xingamentos e disseminação de fake news. Nada garante, porém, que este segundo turno tenha um nível melhor, considerando-se o cenário de polarização por que passa o Brasil atualmente. Chama a atenção também o fato de que um em cada cinco brasileiros preferiu não ir votar no pleito deste domingo. De acordo com dados do TSE, 29,7 milhões de pessoas não compareceram às seções eleitorais ? uma taxa de 20,32%. Esse é o maior índice desde 2002. Votos brancos e nulos representaram quase 10% do total. Isso mostra que um número considerável de eleitores não se sentiu representado. Os números deste domingo apontam que o candidato do PSL tem uma vantagem considerável e larga na frente. Já Haddad terá o grande desafio de conter a onda antipetista, que derrotou muitos nomes fortes do partido em vários estados. Apesar dos episódios negativos registrados durante a campanha, não se pode deixar de festejar a democracia, que dá aos cidadãos a liberdade de escolher seus representantes, mesmo que muitos tenham saudade dos tempos em que esse direito lhes era negado.