Opinião
Ensino público
A situação em que se encontra a educação pública nos faz refletir a respeito do nosso próprio futuro. Alagoas passa hoje por uma de suas piores crises, e todas as desgraças que recaem sobre os alagoanos originam-se do mesmo problema: o descaso com a educação. A imagem das escolas públicas de Alagoas, por exemplo, representa fielmente o caos pelo qual estamos passando há pelo menos duas décadas. As escolas parecem mais depósitos de gente (algumas podem até ser comparadas a pocilgas em imundície), porque, de uma forma geral, o ambiente é propício para qualquer coisa, menos para a aprendizagem ou a prática da educação. Juntam-se a isso o desânimo dos professores pela área e o conformismo populacional com essa realidade. Pronto: os alagoanos ?se acostumaram? a um cenário de atraso tão forte, amplo e intenso que indica para os próximos anos (ou décadas, sabe-se lá) o agravamento da atual conjuntura social. Isso significa dizer que não só a educação pode piorar, mas como os outros setores sociais que dependem dela para funcionar direito ficariam bastante comprometidos. Essa batalha contra o atraso na educação até parece uma luta vencida, haja vista o esforço e a esperança já há muito colocados sobre o assunto. E o resultado é sempre o mesmo: o atraso. Nós damos passos para trás sempre. A convite dum amigo professor, fiz uma visita a certa escola pública. Meu amigo dá aulas de história para alunos do Ensino Médio. Ele tem quatro turmas com, em média, cinquenta alunos, todos amontoados em bancas velhas, que mais se parecem com restos de material de construção. Naquela noite, assisti a duas aulas. Ali aprendi muito sobre os aspectos da história do Brasil e, também, sobre a miséria educacional da qual os alagoanos fazem parte. Quanto à lama que nos cobre, não tenho dúvida: há muito a ser feito pelos órgãos responsáveis por políticas públicas e, em especial, por cada alagoano que não aguenta mais viver num Estado do qual se envergonha. A vergonha a que me refiro não é direcionada para a população (o alagoano se orgulha de sua história, de suas raízes), mas sim para o quadro geral extremamente vergonhoso para quem convive com essa ?chaga?. Quanto menos o Estado se preocupa com a educação, tanto mais o sofrimento se alastra e se intensifica. Todos sabemos que é obrigação do governo proporcionar educação gratuita de qualidade a todos os cidadãos, e também nós estamos cansados de ver o desprezo político por esse direito do povo. Espera-se uma ação dos políticos para melhorar a vida da comunidade ? eis o que significa, de verdade, fazer política. Não adianta apenas sonhar com a educação ideal para todos e não se mover para vê-la desenvolver-se, é fundamental agir. E essa ação aqui se resume em uma palavra-chave: discernimento (em sua mais ampla significação). Precisamos discernir causas e consequências. O que necessitamos fazer para Alagoas sair do buraco no qual foi colocado (de propósito)? Somente a vigilância da população sobre as ações políticas voltadas à educação fará com que tenhamos uma esperança de um futuro decente.