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Opinião

O desafio da qualidade

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Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2017, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, mostraram que somente 5,9% dos 10.570 cursos avaliados atingiram conceito 5, a nota máxima da avaliação. Nesse ano, o Enade avaliou cursos de bacharelado e licenciaturas na área de Ciências Exatas e afins. Também foram avaliados cursos superiores de tecnologia enquadrados em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Gestão da Produção Industrial, Gestão da Tecnologia da Informação e Redes de Computadores. Enquanto 6,1% dos cursos presenciais obtiveram o maior Conceito Enade, apenas 2,4% dos cursos a distância obtiveram a avaliação máxima. O Enade é um exame feito por estudantes ? ao final dos cursos de graduação ? para avaliar conhecimentos, competências e habilidades desenvolvidas ao longo do curso. Levando em consideração o desempenho dos estudantes nas provas, os cursos são classificados seguindo uma escala de 1 a 5. Os resultados servem como importantes instrumentos de avaliação da educação superior brasileira. Nos últimos anos o Brasil pôs em prática uma política de expansão da rede federal de ensino superior, que incluiu a criação de novas universidades, construção de novos campi e o aumento de matrículas. Programas como o Prouni e o Fies também ajudaram a aumentar o acesso dos jovens à universidade. Não se pode deixar de mencionar o aumento da oferta dos cursos semipresenciais. O último Censo da Educação Superior mostrou que as matrículas em cursos a distância cresceram 17,6% de 2016 para 2017, o maior salto desde 2008. A maior parte dos estudantes de EaD, 90,6%, está matriculada em instituições de ensino privadas. Se o País conseguiu aumentar seu contingente de estudantes em cursos de graduação, o desafio é melhorar a qualidade e oferta de programas em todas as suas instituições. Entretanto, no ano passado, as universidades públicas tiveram o menor repasse de verbas em sete anos. A diminuição das verbas provocou, entre outros, a demissão de funcionários terceirizados e o congelamento no valor das bolsas de auxílio estudantil. A educação superior tem um papel fundamental nos enormes desafios que o Brasil tem de enfrentar para assegurar um crescimento econômico sustentável e com justiça social. Caberá ao novo governo lidar melhor com essa questão.

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