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Opinião

Apelo à paz

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A homilia na principal missa do Dia da Padroeira, nessa sexta-feira, na basílica em Aparecida (SP), defendeu uma sociedade solidária aos pobres e unida contra a discriminação e a exclusão racial. A igreja pediu o fim do que chama de ?mundo de separação?, citando casais e partidos políticos como exemplos da falta de união. O sermão ocorreu logo depois de a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão máximo da Igreja Católica no Brasil, orientar os eleitores cristãos que, ao escolher seus candidatos, atentem aos que ajudem a preservar, não a destruir, sistemas democráticos. A preocupação com o clima das eleições do Brasil é generalizada. Numa declaração emitida na sexta-feira, em Genebra, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos deixou claro que a situação brasileira tem sido consideradas como ?delicada? por parte do organismo internacional. A ONU diz estar ?profundamente preocupada? com o clima de violência e pede que líderes políticos nacionais condenem explicitamente tais atos. O País vive uma campanha eleitoral sem precedentes em vários sentidos. Chamam a atenção os discursos violentos, principalmente nas redes sociais, e o fato de um dos candidatos ter sido esfaqueado em plena campanha. Para especialistas, a crise econômica brasileira, aliada aos escândalos de corrupção que vêm sendo revelados, contribuiu para gerar esse clima de polarização. Ressalte-se que as redes sociais e, sobretudo, o WhatsApp assumiram destaque como estratégia de campanha. Basta ver que o candidato que lidera as pesquisas dispunha de pouquíssimo tempo de rádio e TV no primeiro turno. Em 2014, os usuários de WhatsApp eram em torno de 20 milhões; agora, chegam a 120 milhões. O problema é que, junto com a transmissão de propaganda pelo aplicativo e pelas redes sociais veio também a avalanche de notícias falas, as fake news, que alimentaram o ódio e o medo. É preciso que os dois grupos políticos que disputam as eleições assumam o compromisso de contribuir para acalmar os ânimos e defender o jogo democrático, aceitando o resultado das urnas e cumprindo a Constituição. Num momento de divisão e polarização do Brasil, a Constituição deve ser o grande instrumento de estabilidade do País.

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