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O midiatismo e o renascimento da contracultura

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A nudez é o elemento mais forte em qualquer situação performática ou de protesto. E hoje, em razão do crescimento dos meios de comunicação, tudo o que acontece no planeta inteiro é visto, simultaneamente, em qualquer parte do mundo. Mas, nem sempre foi assim. Em 1998 o jogador Vampeta pousou em nu frontal para a revista G Magazine por um cachê de 120 mil reais. Foi um escândalo que quase lhe custou o emprego. Quem viu? Apenas quem comprou as revista. Em 2014, no Estádio de Melbourne, na Austrália, a modelo Heather McCartney, de 26 anos, tirou a roupa e se expôs por inteiro na arquibancada por causa de uma aposta que havia feito. A modelo foi presa e pagou R$ 1.200 de fiança para ser liberada. Repercussão? Quase nenhuma. Nos dias atuais, os vídeos de Priscila Toscano defecando numa foto de Bolsonaro estão na internet desde 2016. E, segundo a mesma mídia, cerca de 36 jogadores estão com a nudez disponível em sites pornôs. Conhecendo o poder da mídia digital, qualquer pessoa pode ter um canal no YouTube e criar seu próprio público com qualquer que seja o tema. É uma mídia não censurada, isto quer dizer que cada um pode fazer o que bem entende. Há público para tudo e o dinheiro circula nos anúncios de tempo curto. Se antes você podia interrompê-los, agora o anúncio interrompe o vídeo e você espera para continuar a ver. É assim que a cultura se desconstrói em meio à exploração de temas sociais, religiosos, políticos, onde se avivam os contrastes no limite entre a realidade e a caricatura da pobreza e da riqueza, da diversidade racial e de gênero, sem o mínimo respeito a cultura nacional. Desde o final do século 19, o Brasil perdeu o bonde da história da arte na Europa. Passou a viver um universo paralelo entre a produção artística americana e artistas de primeira grandeza como Picasso. Deste último, seguiram-lhe brasileiros como: Di Cavalcanti, Portinari, Tarsila, Anita entre outros. O mesmo mundo, hoje influencia artistas contemporâneos na produção de uma obra completamente desvinculada da nossa realidade, mas que reza pelo cânone internacional das bienais mais famosas. Pouquíssimos se seguram no estilo que cristalizou. A performance, uma representação de maior requinte nas artes visuais, que envolve cenografia, teatralidade, filosofia e estética tem sido vulgarizada, justamente pela falta de compreensão do contexto pela grande mídia. E mais ainda, quando é utilizada em ações de protestos políticos com nudez intencional para criar impacto. Como resultado promove a demonização das artes. Isto é um revés na cultura.

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