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domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
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Opinião

Intolerância que maltrata

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A vida me ensinou não dever realizar várias tarefas ao mesmo tempo porque nem sempre o resultado seria o esperado. Lembro-me quando bem jovem sonhava comprar um binóculo utilizando minha própria mesada, embora diariamente a gastasse em gibis de Tarzan, Zorro e Mandraque. Somente consegui fazê-lo quando parei de pensar no hoje focando em objetivos futuros. Desde então procuro polarizar energias para atingir o almejado. O tempo passou, mas ainda continuo tentando não desvirtuar tal lógica nas ações em que me envolvo, principalmente ao me debruçar sobre trabalhos literários, sempre tomando duas atitudes consideradas essenciais: colocar o telefone em modo silencioso e isolá-lo em outro ambiente de modo a não prejudicar a concentração exigida pela atividade, porque entendo a concentração do ser humano como algo essencial para não deixar suas metas falharem, evitando a desatenção e rechaçando as tentações surgidas durante a jornada. Outro dia me distraí, deixando o celular próximo à máquina na qual digitava alguns textos, e não resistindo aos inúmeros ?plins plins? escutados, acessei mensagens, olhando imagens e às vezes até sorrindo, tempo no qual não realizara nada do programado. Daqueles instantes, apesar de afogado nas ondas geradas pelas mídias sociais, ficaram lições de episódio de intolerância explicita que tomei conhecimento: havendo participado da passeata de apoio a um dos candidatos à Presidência da República, ocorrida em ensolarada manhã de domingo na orla de Maceió, conceituada escritora, respeitada professora de ballet, das mais antigas em nossa capital e membro da Academia Alagoana de Letras, fez postar algumas imagens suas, externando alegria e satisfação por ali haver estado ao lado de milhares de outros cidadãos, como ela respeitadores da democracia e liberdade de direitos. Como era de esperar, a exposição das fotografias foi literalmente aplaudida por muitos, mas, para minha surpresa, também criticada por alguns poucos, que não hesitaram em nominá-la de fascista, nazista e vários outros adjetivos. Impressionei-me com o bate-boca gerado (menos pela provocada), pelo fato de os envolvidos, inclusive os que literalmente agrediram a conceituada bailarina alagoana, serem seus ?amigos? do Facebook. Após ler os escritos motivadores dos inúmeros comentários de outros personagens, fugindo totalmente ao foco a que me dedicava, ousei pensar que às vezes o diabo permite a algumas pessoas viveram sem adversidades, por não querer que elas recorram a Deus, embora outras pareçam instadas a não conseguir existir senão enxergando problemas em sua própria vida, procurando estendê-los a seus semelhantes de forma intolerante e mesmo opressora. Finalmente retornei a meu trabalho inicial, satisfeito por haver tido a chance de mais uma vez vivenciar a experiência de fortalecer o empenho nas atividades desenvolvidas, sem, todavia, minimizar a intolerância existente dentro de cada um, na esperança de me transformar em um cidadão mais coerente.

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