Opinião
(Re)valorização

Segundo censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, o número de professores no Brasil passa de 2,5 milhões. A maior parte dos professores (2,192 milhões) é da educação básica, enquanto 349.776 são do ensino superior. Outrora uma profissão valorizada e que gozava de status, atualmente a carreira docente deixou de ser atrativa. De acordo com levantamento feito pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com base nos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2015, apenas 3,3% dos estudantes brasileiros de 15 anos querem ser professores. Quando se trata daqueles que querem ser professores em escolas, na educação básica, esse percentual cai para 2,4%. Não é difícil entender o porquê. Professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos. Faltam planos de carreiras atrativos, sobretudo em estados e municípios com orçamento restritos. Além disso, muitas escolas não oferecem estrutura adequada para o bom exercício docente, em geral com salas de aulas superlotadas, gerando grande desgaste físico e emocional. Há outras distorções. O Brasil ainda tem muitos docentes que atuam em áreas que não foram formadas. Dados do Inep mostram que, na educação infantil, 53,4% dos docentes não têm formação superior adequada. No ensino fundamental, o percentual chega a 49,1% nos anos finais (do 6º ao 9º ano) e a 41% nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano). No ensino médio, 39,6% não têm formação adequada. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei aprovada em 2014, o País terá que melhorar não apenas os salários, mas também a formação de quem está todos os dias em sala de aula. A meta estipulada pelo PNE é o investimento anual de pelo menos 10% do PIB em educação pública a partir de 2024. O futuro presidente terá como um dos grandes desafios melhorar a qualidade da educação no País. Isso passa necessariamente pela valorização daqueles que trabalham diariamente em sala de aula. Não se trata apenas na questão salarial, mas também da formação continuada e da melhoria das condições de trabalho. É preciso fazer com que a profissão docente volte a atrair o interesse dos estudantes e não se torne apenas uma última opção.