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Entre o altar e um rabo de saia

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Menino pobre, filho de pais corumbas. Assim eram conhecidos os trabalhadores que deixavam o sertão de Pernambuco para arriscar a sorte em Alagoas. A família muito religiosa não demorou a perceber que o jovem já crescido participava ativamente dos rituais na igreja matriz da cidade. De coroinha a seminarista, foi uma evolução rápida e esperada. Ordenou-se padre! Admirado, respeitado pela comunidade porque na região nenhum outro sacerdote pregava o Evangelho com tanta naturalidade e riqueza de detalhes. Os paroquianos iam às suas missas e dobravam os joelhos no confessionário para contar seus maus feitos com devoção ao seu guia espiritual. Tempos depois passou a dividir as tarefas de pastor católico com a função de educador nos melhores educandários do Estado. Era comum padres pela formação filosófica e teológica exercerem o magistério, principalmente nos colégios particulares e também na escola pública muito valorizada. Contam os mais velhos que quando as famílias queriam educar um filho e não tinham condições financeiras, buscavam um jeitinho de encaminhá-lo para o seminário. Os estudos eram bancados pelas dioceses na esperança de formar novos missionários de Cristo. O padre-professor foi um homem realmente culto e de inteligência privilegiada. Poliglota ? fluía bem o inglês, francês, alemão e espanhol ? Como se não bastasse aprendeu russo ouvindo a Rádio de Moscou através da frequência em ondas curtas. Tocava flauta, piano e órgão. Nas horas vagas compunha e fazia arranjos musicais. É autor do hino da padroeira da antiga paróquia onde exerceu o sacerdócio e também do hino do seu município entre outras importantes criações, inclusive uma muito cantada quando da visita de um Papa ao Brasil. Que o padre era um bom bebedor de cerveja, todos sabiam... Uma farrinha com os velhos paroquianos lideranças e intelectuais da cidade na mesa de um bar, fazia parte do cotidiano! Mas, como ninguém é de ferro, também tinha um outro xodó que virou buchicho na paróquia. Não resistia a um ?rabo de saia?. O voto de abstinência sexual jurado ao bispo no dia ordenação durou pouco. Aos primeiros impulsos do desejo da carne, dava uma escapadinha até a capital. Disfarçado com óculos de sol mesmo que fosse noite, boina na cabeça, de mansinho subia as escadarias das boates pouco recomendáveis para uma autoridade eclesiástica. Cervejinha na mesa, olhos fixos nos seios e pernas desnudos das sedutoras damas do amor, o solitário pastor flechava outras ovelhas. Depois do velho e conhecido banho ?checo?, vida que segue. Tinha múltiplas atividades na paróquia, principalmente focadas em obras sociais. Numa dessas reuniões, maridos e esposas sob sua liderança, decidiram que os homens viajariam a Recife para tratar de assuntos da comunidade. O tempo fechou. Nenhuma das madames permitiu que os respectivos maridos acompanhassem o padre nessa missão. Temiam que seus esposos fossem desencaminhados pelo sacerdote pelas ruas nada familiares do velho Recife. O ser humano não é perfeito e nem os santos foram perfeitos. Portanto, ?antes de censurardes as imperfeições dos outros, vede se de vós não poderão dizer a o mesmo?.

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