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Opinião

Indústria da manipulação

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A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, deve se reunir hoje com os coordenadores das campanhas dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para discutir a questão das notícias falsas veiculadas principalmente nas redes sociais. As fake news entraram na agenda do TSE desde o início do processo eleitoral. No entanto, um conselho consultivo formado pelo tribunal para lidar com o assunto até o momento não apresentou medidas efetivas. De fato, as fake news se tornaram as vedetes desta eleição. Elas inundam as redes sociais e se apresentam de diversas formas ? vídeos editados, com declarações retiradas do contexto, acusações infundadas, fotos manipuladas, áudios simulando vozes de candidatos para sugerir determinadas reações a pesquisas. Decisões do TSE têm tirado algumas notícias falsas da internet, mas outras vão surgindo em escala industrial. Para especialistas, a aproximação das eleições aumenta a demanda das pessoas por informação sobre os candidatos. Isso provoca uma busca tanto por informação de qualidade quanto por desinformação. Levantamento da empresa MindMiners com eleitores brasileiros em setembro mostrou que as redes sociais são o principal meio de informação nas eleições, citadas por quase 60% dos entrevistados. Em seguida, vieram o horário eleitoral gratuito na TV (53%) e conversas com amigos e família (38%). As redes sociais mais populares foram o WhatsApp (90%), o Facebook (85%) e o YouTube (72%). O principal espaço da circulação tem sido, disparado, o WhatsApp. Pelo caráter fechado da plataforma, é difícil saber qual o volume de mensagens, de pessoas acessadas e o alcance delas junto ao eleitorado, assim como os impactos dessa prática no momento da votação. A desinformação nas redes se torna ainda mais assustadora, pois vem misturada com discursos de ódio e intolerância. O Código Eleitoral lista como crime com pena de 2 meses a 1 ano ?divulgar, na propaganda, fatos que sabe inverídicos, em relação a partidos ou candidatos e capazes de exercerem influência perante o eleitorado?. O desafio é rastrear, identificar e punir os infratores, o que não é uma tarefa tão fácil. Cabe também ao eleitor o mínimo de bom senso para conferir uma informação antes de passá-la adiante. É uma atitude que faz bem à democracia.

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