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As eleições em Coruripe e Poxim durante o império

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Até 1889, com a queda do império e posterior implantação do regime republicano, as eleições em Coruripe e Poxim se davam no âmbito paroquial. A freguesia era o referencial maior no exercício da cidadania. As igrejas eram o espaço onde se davam as eleições sempre antecedidas, por lei, de uma missa especial ao Divino espírito Santo, a quem se pedia a luz para uma eleição certa e tranquila e candidatos dignos, que nem sempre acontece hoje em dia. O ato eleitoral tinha início às nove horas e terminava com a fixação dos eleitos na porta da igreja ou no paço municipal. No altar ficavam as autoridades, juiz, mesários e escriturários e no corpo da igreja ficavam os eleitores. Dos altares eram retirados os santos ou cobertos com manto roxo. O Santíssimo Sacramento era guardado noutro lugar, a lamparina do Santíssimo era apagada até depois das eleições. Os abusos de hoje, existiam no passado, eleitor votando no lugar de outro. Chamava-se na época, de ?fósforo?, um bom fósforo votava duas, três, quatro ou mais vezes, em várias freguesias quando próximas umas das outras. O ?fósforo? votava em Coruripe e corria a cavalo para votar no Poxim. Os mesários sabiam que o eleitor tinha morrido ou estava de cama, não vinha votar, era a vez do ?fósforo? entrar em cena e dar o voto. A corrupção já vem de longe, parece que só mudou de indivíduos. Além do ?fósforo?, havia a figura do capanga de eleições. Os capangas são os pontos de apoio dos cabos eleitorais, sustentam suas opiniões, ameaçam, brigam quando necessário. O capanga não entra no processo eleitoral por convicção, entra por dinheiro. As autoridades acobertam os capangas e os ?fósforos? e fecham os olhos. Assim, Francisco Belisário de Souza, no seu livro O Sistema Eleitoral no Império, descreve as eleições numa freguesia onde impera a corrupção: ?O povo dificulta o acesso e perturba os atos eleitorais, nas igrejas. Vários grupos conversam animadamente. Todo trabalho é feito fora da igreja onde os fósforos e capangas entram e saem?. Entrai na matriz de Santana, dentro tereis o espetáculo de um pandemônio, a irreverência campeia. De fato, foram tiradas as imagens, os círios, os candelabros, tudo quanto podia converter-se em armas ou projéteis durante uma luta à mão armada. É contristador o espetáculo que tais ocasiões oferecem algumas das nossas igrejas. As primeiras eleições no Brasil para deputados às cortes de Portugal foram por ordem de D. João VI, a 1 de março de 1821. Mandava o decreto real que os moradores das paróquias elegessem eleitores que procedessem à eleição dos deputados às cortes portuguesas. A Lei de 19 de agosto de 1846 foi a que regeu as eleições em Coruripe e no Poxim, no tempo imperial. Alagoas mandaria às cortes do Brasil cinco deputados que receberiam uma mesada de 6.000 cruzados anuais. A cópia da ata das eleições é o documento oficial para que o deputado tome posse na Assembleia Provincial. Terminadas as eleições e publicados os resultados, todos deveriam se reunir na igreja principal, onde se contaria a Deus um Te Deum laudamus, em ação de graças. Essa cerimônia religiosa seria paga pela Câmara; se esta não tivesse verba, o vigário celebraria gratuitamente.

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