Opinião
Os erros históricos e a autocrítica política
Quando Immanuel Kant escreveu: ?A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtrair-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame.? estava perenizando um pensamento seminal, e como que premeditando o momento político pelo qual passa o Brasil. Como os políticos e seus partidos não fizeram nenhuma autocrítica de suas muitas mazelas, o que poderia atenuar a imensa frustração e repúdio da sociedade, os eleitores demonstraram toda a sua revolta e indignação através de seus votos depositados nas urnas no primeiro turno das eleições de 2018, o que tudo indica repetir-se-á no segundo turno. A sempre saudável autocrítica ? levando-se em conta que a pior característica de uma pessoa ou entidade é não fazer a sua autocrítica, pois isso a impede de ver as suas muitas outras más qualidades ? se foi evitada pelos políticos e partidos envolvidos na eleição presidencial, como o PT e o PSDB, foi escancarada e cobrada por políticos orgânicos dessas coligações, antagônicas em posições, mas simbióticas em evitar autocríticas. Foi Cid Gomes, aliado do PT, quem em evento público ? que certamente entrará para o folclore político nacional ? esbravejou ao Partido dos Trabalhadores, usando até palavras chulas, o óbvio ululante : a degradação dessa sigla partidária no lamaçal da corrupção, a sua obsessão por hegemonia no campo da esquerda, e pelo culto à personalidade de Lula, o qual entre outros erros históricos primários, legou uma criatura totalmente inepta, Dilma Roussef, para exercer a Presidência da República, e impediu que uma liderança mais competitiva, como Ciro Gomes, pudesse concorrer pela esquerda em 2018. Fernando Henrique Cardoso, com seus muitos defeitos, mas, inquestionavelmente, um liberal e democrata, com discurso de teor semelhante, negou a possibilidade de apoiar o PT, embora tenha também registrado a sua inaptidão para apoiar Bolsonaro. A autocrítica e a sua redentora capacidade de superar erros passados, além de abrir novos e saudáveis horizontes para o futuro, poderiam sensibilizar Bolsonaro, desanuviando assim o ambiente político e econômico, ao esclarecer polêmicas, como por que votou contra a privatização das telecomunicações e da Vale, hoje privatizações consagradas. Como líder de uma Nação sedenta por uma estabilidade que propicie o retorno do desenvolvimento e o fortalecimento da democracia, apoiada por 69% da população, poderia registrar inabalável e firmemente o seu apoio às Instituições e o seu compromisso com o Estado de Direito, desfazendo equívocos passados, como as suspeitas infundadas sobre a lisura das urnas eletrônicas e do Judiciário. A Nação muito precisa dessa liderança Kantiana.