loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Desafios da bancada feminina

Ouvir
Compartilhar

Há 84 anos, o povo alagoano praticou um feito histórico, ao eleger a médica, escritora e professora universitária Maria José Salgado Lages para compor uma das cadeiras da Assembleia Legislativa, com função Constituinte. Primeira parlamentar eleita, Lily Lages obteve 13.891 votos no pleito de 1934. O avanço registrado em Alagoas ganhou espaço na imprensa brasileira, pois ela compunha a seleta bancada das nove primeiras parlamentares eleitas no País, após longa e bem-sucedida luta pela conquista do voto feminino. A longeva caminhada em defesa da plena cidadania da mulher vem da época da Monarquia no Brasil. Mesmo após a Proclamação da República, algumas décadas passariam para se consagrar o direito ao voto feminino, decretado por Getúlio Vargas em 1932. Entretanto, havia restrições que ainda perdurariam até o ano da eleição de Lily Lages. Só poderia votar, por exemplo, a mulher casada, mesmo assim com a permissão do marido. Excrescências, como esta, desapareceram da legislação brasileira em 1934. Lily também chegou ao Parlamento com serviços prestados à causa feminista e aos direitos sociais. Graças a ela, o texto constitucional de Alagoas estabeleceu percentual de recurso do Estado a ser destinado à Saúde Pública. Do passado ao presente, muitas vitórias foram obtidas pelas mulheres, na busca de seu justo espaço na sociedade. Mesmo sabendo que Alagoas possui o maior número proporcional de prefeitas, entre os demais estados do Brasil, há ainda muito a se conquistar em termos de representatividade na esfera municipal. Até por que o eleitorado feminino é majoritário por estas bandas. Da bancada solitária de Lily Lages até a 19ª Legislatura ? que vai começar em primeiro de fevereiro de 2019 ? há muita história para se contar. Agora, com a formação da maior bancada feminina da história da Casa de Tavares Bastos, as deputadas Jó Pereira, Cibele Moura, Angela Garrote, Flávia Cavalcante e Fátima Canuto também garantem para Alagoas a liderança nacional no percentual (18%) de ocupação de mulheres nos parlamentos estaduais. Elas chegam com expectativas e origens diferentes, mas vão se deparar com o desafio único de defender a mulher diante do drama da violência. Nos últimos anos, contabilizaram-se 76 casos de feminicídio, além de algumas centenas de ocorrências domésticas que atentaram contra a integridade da mulher alagoana. Inédita, a nova bancada poderá ser um reforço positivo à luta contra tanta atrocidade ainda presente em nosso meio.

Relacionadas