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Opinião

Descarte inadequado

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Relatório do setor de meio ambiente da ONU revela que um terço do lixo produzido nos países da América Latina e Caribe, o que representa 145 mil toneladas de resíduos, é descartado em locais inadequados diariamente. O Brasil responde por 25% do volume destinado de forma inadequada na região. Além disso, a geração diária de resíduos sólidos urbanos nesses países vai aumentar 25% até 2050, segundo o estudo. O relatório conclui que a região latino-americana enfrenta ainda o desafio de chegar a uma economia circular, já que apenas 10% dos resíduos são reaproveitados por meio da reciclagem ou de outras técnicas de recuperação de materiais. Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, produzido pela Abrelpe, mostram que a geração total de resíduos sólidos urbanos no País foi de 78,4 milhões de toneladas em 2017, crescimento de 1% em relação a 2016. Cada brasileiro também produziu mais lixo em 2017, 378 quilos por ano, volume que daria para cobrir 1,5 campo de futebol. De acordo com a publicação, a destinação irregular de resíduos aumentou 1%, com um volume total que seria suficiente para cobrir uma área equivalente a 600 Parques do Ibirapuera, em São Paulo. Para especialistas, os números apresentados são bastante preocupantes e mostram que, caso não sejam adotadas medidas urgentes para reverter esse quadro, há o risco de o problema tomar proporções irreversíveis. Um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, divulgado na semana passada, aponta que pouco mais da metade dos municípios brasileiros (54,8%) têm um Plano Integrado de Resíduos Sólidos. Nesse aspecto, Alagoas conseguiu uma vitória no ano passado, quando desativou todos os lixões do Estado. Nos últimos anos, os resíduos sólidos se tornaram um dos problemas centrais em termos de planejamento urbano. Além da questão da destinação correta, o desafio é estimular a reciclagem. Atualmente, apenas 13% dos resíduos são encaminhados para reaproveitamento, mas esse percentual poderia chegar a até 40%. É preciso que os governos deem prioridade à questão da destinação dos resíduos sólidos e à reciclagem. Os ganhos serão grandes, tanto para a saúde pública quanto para o meio ambiente e a economia, já que o reaproveitamento de materiais funciona como uma fonte de renda para muitas famílias, algo tão importante em tempos de desemprego.

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