Opinião
A Ilha do Trovão

Por influência direta de meu avô Chiquinho e do bisavô Martinho, aprendi muito cedo a amar estórias de trancoso. Em muitas oportunidades, fiquei com olhos e ouvidos bem abertos escutando aventuras interessantes contadas por aquelas duas figuras inesquecíveis e de grande importância em minha vida. Como pai, sempre procurei prender a atenção de minhas filhas, repassando-lhes fábulas interessantes, capazes de lhes despertar a curiosidade. Foi, contudo, com meus netos que me conscientizei de como meninos ou meninas amam viajar na imaginação, através das estorinhas que lhes contamos. Aos poucos, fui amadurecendo a ideia de oferecer aos rebentos de minhas princesas suas próprias aventuras, nas quais eles seriam os astros, protagonizando ações sempre voltadas para o altruísmo. Tudo começou com Arthur, meu neto primogênito. Desde os dois anos de idade, sentava-se a meu lado pedindo-me para lhe descrever as peripécias por ele vivenciadas na Ilha do Trovão, enfrentando perigos mas, também, se deliciando com diferentes paisagens repletas de belezas indescritíveis. O mais interessante era que, quanto mais lhe repetia, sua ansiedade crescia por saber o que aconteceria no capítulo seguinte. Consciente de o grande segredo ao contar uma estória não é sabê-la de cor mas, a cada nova oportunidade, utilizar a imaginação, colocando algo de novo, como objetos diferentes, extravagantes fantasias, criaturas animalescas e, principalmente, mudando o tom da voz por ser mais chamativo à atenção dos pequeninos, entendi que deveria perpetuar a narrativa transformando-a em um livro infantil. Assim, tomou forma Arthur e a Ilha do Trovão, com meu neto como ator principal e iniciando-se em um passeio de helicóptero até um remoto pedaço de terra no meio do oceano, quando, após ter a aeronave envolvida em terrível acidente, o herói não somente salva a vida de seu paizinho como enfrenta uma série de desafios difíceis de ser vencidos, como índios, macacos gigantes, cobras de três olhos, tiranossauro rex e até sereias, tornando-se coadjuvantes das peripécias descritas, tendo sempre o vovô Rock como mentor espiritual de algumas decisões tomadas pelo destemido garoto. Certamente inspirado na imaginação de meu avô e bisavô caicoenses, sempre entendi serem as estórias infantis fundamentais à formação educacional do jovenzinho, em especial no início da escolaridade. Esse, o motivo de nutrir a certeza de quanto o desenvolvimento de tal atividade deveria ocorrer em cada planejamento, por se tratar de um momento mágico, onde a criança vivencia e absorve algo para se identificar consigo própria, sobretudo sendo ele o intrépido personagem da ação. Se, por um lado, o livro Arthur e a Ilha do Trovão é o primeiro dos cinco volumes por mim preparados compondo a coleção ?As estórias que contei?, tendo cada um de meus netos como paladino do bem, por outro será uma ferramenta de incentivo à leitura em um mundo novo cheio de coisas desconhecidas para serem descobertas.