Opinião
Menos leitos
Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios, nos últimos dez anos o Brasil perdeu mais de 41 mil leitos hospitalares no âmbito do Sistema Único de Saúde, o SUS. Em 2008, eram pouco mais de 344 mil e agora são 303 mil. Ao mesmo tempo, o número de leitos particulares aumentou de 116 mil para 134 mil. Ainda de acordo com a pesquisa, em 2008, o Brasil contava com 2,4 leitos para cada mil habitantes, caindo para o índice de 2,1 leitos na mesma proporção de pessoas em 2018. Os números também mostram que, atualmente, nenhuma das regiões do País atinge o índice recomendado pelo próprio Ministério da Saúde ? entre 2,5 e 3 leitos para cada mil habitantes. No caso de Alagoas, em 10 anos foi registrado um aumento de 4% no número de leitos. Entretanto, a população cresceu 8%. Ou seja, o aumento populacional superou a abertura de novos leitos no Estado e, consequentemente, diminuiu o índice de leitos por mil habitantes. O Ministério da Saúde argumenta que a redução do número de leitos hospitalares segue uma ?tendência mundial?, que se justifica pelo fortalecimento da atenção ambulatorial ou domiciliar. Entretanto, a redução é preocupante, tendo em vista que o SUS responde pela maior parte dos atendimentos hospitalares do País. Com a crise econômica, a demanda ficou ainda maior, já que muitas famílias foram forçadas a deixar os planos de saúde. Criado há 30 anos, o SUS é considerado um dos modelos de atendimento à saúde mais democráticos do mundo. Cuida desde o atendimento de urgência até os procedimentos de alta complexidade, como transplantes, além de vacinação em massa e tratamento de pacientes soropositivos. Foi a partir da criação do SUS que a população teve acesso ao atendimento preventivo. O sistema, entretanto, enfrenta diversas dificuldades e a grande questão é como oferecer um serviço de saúde adequado a todos. Os gargalos da rede pública não são novos: falta de investimento e repasses defasados, o que resulta hospitais superlotados, falta de medicamentos e insumos e dificuldade na marcação de consultas, exames e cirurgias. Para o próximo governo, o grande desafio continuará sendo aperfeiçoar o atual modelo, oferecendo uma saúde pública de qualidade a todos, direito fixado na Constituição.