Opinião
Hora de Bolsonaro falar como governo

Stendhal em 1837, escreveu: ?Um governo livre é um governo que não faz mal aos cidadãos, mas, pelo contrário, lhes dá sossego e tranquilidade. Mas daí,a felicidade ainda está longe...?. Com uma campanha presidencial finalizando, e quase subindo a rampa do Planalto, Jair Bolsonaro precisa urgentemente serenar os ânimos mais do que exaltados entre os dois lados da disputa e até de próceres das Instituições da República. Mesmo levando em alta conta que entre tantas ocorrências brutais dessa campanha presidencial, o atentado ao qual foi vítima, foi inquestionavelmente a mais grave, Bolsonaro precisa se superar pois sabe que vai exercer a Presidência da República de um País muito conflagrado pela feroz polarização político-partidária, assim como herdará um quadro social e econômico dramático, que precisará ser enfrentado com todo o apoio possível. Todavia, analistas respeitados já anteveem um governo sem lua de mel,e sem uma trégua mínima com a imprensa nacional e a internacional, o que é uma dificuldade a mais. Somaram-se ainda dois fatos lamentáveis e plenamente evitáveis nessa última semana de campanha: a fala do deputado federal reeleito, seu filho, Eduardo Bolsonaro debochando do Supremo e o vídeo no qual Bolsonaro na Avenida Paulista no domingo, 21, ameaçou os partidários do PT de expulsão do País, além de ter hostilizado agressivamente setores da imprensa que não o agradam. Para um candidato amplamente favorito essa conflagração que estimula mais radicalismos em nada o ajuda a resolver os reais problemas nacionais, principalmente os relacionados ao gigantesco déficit fiscal e a Reforma da Previdência, primeiro e inadiável problema a resolver. Os 14 milhões de desempregados também exigem soluções rápidas voltadas para a sua sobrevivência e de suas famílias. O futuro presidente precisará cumprir uma pauta impopular e dificílima ? que é a pauta das reformas que o Brasil não pode fugir.Os investidores daqui e de fora estão em busca dessa garantia, como de segurança institucional e jurídica. O País necessita urgentemente dessa voz amadurecida que lhe fale não com autoritarismo, mas com a autoridade, com a serenidade e o firme equilíbrio que o Brasil tanto precisa para superar tamanhos desafios. Bolsonaro necessita se libertar dos radicais e dos inconsequentes que o rodeiam e de suas repetidas e irresponsáveis agressões às Instituições democráticas e ao Estado de Direito, estejam eles em seu círculo íntimo ou distantes. O Brasil precisa escutar de forma claramente inquestionável que a sua chegada à Presidência da República é uma conquista da democracia e que ele tem todo o verdadeiro interesse em preservá-la intocada.Basta da insegurança institucional dos anos de governos petistas. E o que vai acontecer com o PT vai depender muito do desempenho de seu governo e dos resultados que venha a alcançar.