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O anúncio de que o próximo governo vai fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente tem causado muitas preocupações por partes de ambientalistas. A fusão havia sido anunciada ainda durante a campanha, mas, diante da repercussão negativa, o então candidato Jair Bolsonaro chegou a afirmar que essa posição seria revista. Ontem, entretanto, sua equipe confirmou que valerá a ideia inicial. As políticas de Bolsonaro para o meio ambiente ? que incluiria até a saída do Brasil do Acordo de Paris sobre o clima ? provocaram críticas de ex-ministros que ocuparam a pasta nos governos Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Em um texto divulgado nas redes sociais, lembram que um dos grandes desafios do século 21 está na implementação do desenvolvimento sustentável, conforme decidido, em 2015, com a aprovação da Agenda 2030, na Assembleia Geral da ONU, com o apoio de 195 países. A decisão é resultado de um longo processo que se iniciou em 1972, e que, de lá para cá, teve o Brasil como um dos protagonistas. Ressalte-se que, em 1992, durante o governo de Fernando Collor, o Brasil sediou a Eco-92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Os temas da Conferência giraram em torno de problemas ambientais e de desenvolvimento sustentável. O evento foi um marco para alertar sobre a conscientização ambiental em todos os países. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo. E parte do agronegócio se queixa dos controles estabelecidos pelo Ministério do Meio Ambiente. Diante da pressão desses setores, que tem grande poder econômico, há o temor de que o novo governo faça concessões demais e retroceda na proteção ambiental. Além disso, percebe-se que o presidente eleito e parte de sua entourage têm uma visão de país de 50 anos atrás, quando a floresta era algo a ser conquistada e derrubada para dar lugar ao ?progresso?. Entretanto, como ressaltam os ex-ministros, o Brasil não pode correr o risco de isolamento político internacional ou do fechamento de mercados consumidores para suas exportações. Não pode, simplesmente, desembarcar do mundo em pleno século 21.

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