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Por que as pesquisas erram tanto?

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Primeiro turno em Minas Gerais. A disputa está acirrada entre Fernando Pimentel e Antônio Anastasia. Faltando 5 dias para o pleito, o tucano liderava as pesquisas com 33% dos votos, seguido pelo petista com 22%. Em quarto vinha um desconhecido chamado Romeu Zema, que tinha apenas 10%. Terminada a votação, divulga-se a boca de urna e, surpresa, Zema aparece disparado na frente com 34%. O fenômeno se repete no Rio de Janeiro, Eduardo Paes liderava com 24%, Romário tinha 16% e Wilson Witzel só 9%. Aberta as urnas, Witzel tinha 41% dos votos. A dobradinha Ibope e Datafolha já tinha sido muito criticada em 2014, por ter mostrado Aécio 10 pontos abaixo do resultado final do primeiro turno. Por que Ibope e Datafolha erram tanto? Antes de entrar no terreno das teorias conspiratórias, vamos dar uma olhada nos números. Já vimos que os institutos erraram em dois estados, mas alguém se deu ao trabalho de conferir os outros? Eu conferi, um por um, e adivinha? Isso mesmo, eles acertaram em todos os outros (em dois casos houve empate técnico). Isso significa uma taxa de acerto de 93%. A precisão dos números é impressionante. Acertaram o resultado do primeiro turno presidencial com diferença de apenas um ponto fora da margem e cravaram perfeitamente no segundo. Não podemos deixar de nos maravilhar com a beleza estonteante da ciência estatística. Eles conseguiram essa façanha extraordinária ouvindo apenas 0,00012% dos 147 milhões de eleitores brasileiros! A resposta da pergunta no começo do texto é óbvia, Ibope e Datafolha na verdade erram muito pouco, nós é que só lembramos e repercutimos seus erros. Erros, que diga-se, por sinal, têm explicações totalmente racionais e convincentes. Bem diferente de outras pesquisas fajutas postadas no WhatsApp a todo momento, que erram à vontade, já que ninguém vai atrás de conferi-las depois. Fui atrás de cinco das enganações que recebi e a melhor ainda ficou três pontos aquém da precisão decimal do Ibope. Se você não achou essas explicações convincentes, então só lhe resta mesmo as teorias conspiratórias. Só me explique, por favor, por que os institutos pararam de manipular as pesquisas justamente no momento decisivo, no segundo turno. E, principalmente, por que arquitetar um superesquema fraudulento nas urnas se a presidente do TSE poderia simplesmente mudar o voto decisivo que prendeu Lula e o tirou da disputa.

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