Opinião
Saúde em baixa
Dados de um relatório do Banco Mundial revelam que os gastos públicos com saúde no Brasil equivaleram a 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015. O País está na 64ª posição em gastos com saúde, no ranking com 183 países, ?ligeiramente superior? à média da América Latina e Caribe, que gasta 3,6% do PIB, e abaixo dos países desenvolvidos, que aplicam, em média, 6,5% do PIB em saúde. Por esse levantamento, a despesa pública em saúde no Brasil está em patamar mediano em comparação com a média internacional, mas relativamente inferior ao volume de recursos empregados nos sistemas de saúde universais dos países europeus, como Reino Unido e Suécia, que apresentam uma boa qualidade. O curioso é que o gasto privado em saúde no Brasil é superior ao público. Isso significa que boa parte do que se gasta com saúde no Brasil é paga pelo usuário do serviço, seja por meio dos planos de saúde, seja com gastos particulares. Ainda de acordo com o relatório, o aumento real acumulado nos últimos dez anos nos gastos com saúde não foi suficiente para colocar o Brasil no patamar dos países desenvolvidos. Além disso, o aumento dos custos e o envelhecimento da população pressionam os gastos com saúde. É necessário entender a importância de ampliar o financiamento da saúde no Brasil, inspirando-se em países como Austrália, França, Espanha, Canadá e Inglaterra, que possuem sistemas universais de saúde. A Constituição determina que as três esferas de governo ? federal, estadual e municipal ? financiem o Sistema Único de Saúde (SUS). Planejar esse financiamento tem se revelado uma questão delicada. Apesar do sucesso do SUS em muitas áreas, o atendimento geralmente está distante do ideal. A qualidade do serviço é uma barreira a ser superada. Em seus 30 anos, o SUS ainda não conseguiu articular universalidade, integralidade e equidade conforme foi criado. Hoje funciona como um sistema pobre voltado para os pobres. O fato é que, quando se trata de fontes de financiamento para a saúde, é preciso rever os mecanismos de contribuição, pois os recursos são insuficientes para garantir que um sistema universal se sustente. Será preciso, portanto, encontrar novas fontes de recursos, além de melhorar a gestão. Trata-se de mais um desafio para o futuro governo.