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Sabedoria política

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Angela Merkel, há 13 anos à frente do governo da Alemanha, não por acaso é hoje a figura que angaria mais respeito na arena mundial. Chegou a esse grau de reconhecimento por sua peculiar habilidade em produzir consensos na solução de crises nacionais e internacionais e de problemas políticos e administrativos de toda ordem, alguns bastante espinhosos. Pois bem! Apesar de apoiar-se há muito tempo nesse sólido capital político, ela anunciou no último dia 29 de outubro que se afastará em dezembro do comando do seu partido, a Democracia Cristã, e que não mais concorrerá ao posto de chanceler da Alemanha. A razão imediata desse anúncio foi consequência dos resultados de eleições locais no estado alemão de Hesse. O partido de Angela e os partidos de sua coalizão de governo conseguiram vencer a disputa, mas perderam uma notória quantidade de votos à esquerda e à extrema direita revelando uma mudança no humor do eleitorado, que ela detectou imediatamente, apesar da Alemanha, sob o seu comando, continuar apresentando números típicos de uma economia forte e nível de emprego elevado. Mas isso, pelo visto, não esgota toda a pauta de demandas do eleitorado do seu país. Ao justificar um posicionamento tão drástico, Angela Merkel foi simples e direta explicando que, de solução, passou, no entanto, a fazer parte do problema, uma maneira inteligível e prática de reconhecer que, apesar de todo o talento que tem, o seu tempo político está se esgotando e que, portanto, é hora de liberar o seu agrupamento político para renovar lideranças, operar mudanças mais profundas e renovar estratégias com mais ousadia. Estou reproduzindo esse fato aqui, neste espaço, porque considero-o altamente pedagógico para as lideranças políticas brasileiras que integrarão o campo das oposições depois da eleição do novo presidente da República e das mudanças, sob o influxo da onda conservadora, operadas no parlamento e em vários governos estaduais brasileiros. Para muitas dessas lideranças, agora de oposição, e para os partidos do centro-esquerda que marcaram os últimos ciclos de poder no Brasil, o tempo de há muito vem fazendo fortes sinalizações. Não como desautorização histórica do que fizeram de positivo nessas três décadas de tensa, porém exitosa reconstrução da democracia brasileira, mas sim como advertência para a necessidade de fazer a autocrítica dos erros cometidos, a avaliação e reafirmação das conquistas obtidas e principalmente a clara identificação daquilo que poderia ter sido feito e não o foi, o que reclama a ascensão de cabeças mais antenadas com os complexos desafios do Brasil atual e de uma oposição que precisa se reinventar.

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