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Opinião

Sobre ser professor

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A palavra mais importante da vida profissional de um professor é o verbo ?resgatar?. O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa ajuda na definição: ?Livrar do cativeiro; libertar; recuperar; salvar?. O professor, portanto, é um iluminado que tem o objetivo de salvar o educando da própria escravidão imposta pela vida, usando três grandes armas: a educação, a cultura e o conhecimento. O compromisso para o qual o professor se volta tem algo de messiânico tão evidente que, mesmo com todas as dificuldades inerentes ao ofício, não se deixa desanimar, ele possui a consciência de que ser aquilo ao qual se propôs é tão difícil quanto gratificante. Realizar, até o fim, a missão de prestar auxílio ao próximo, deixá-lo preparado para a vida, mantê-lo atento aos assuntos importantes ou humanizá-lo para tornar o mundo mais interessante apresentam-se como algumas das funções do educador. Educar é um processo naturalmente difícil, exige por parte do professor não só dedicação à carreira, mas também sensibilidade para compreender o mundo, interpretá-lo, analisá-lo e lhe dar uma marca positiva, tendo em vista que o próprio professor é o guardião do desenvolvimento humano. Sem ele, não haveria esperança no futuro. Vez ou outra, quando me reúno com amigos de infância, alguém sempre me pergunta ou comenta: ?Você, Agamenon, ainda é professor? Por que não muda de atividade? Você seria mais útil às pessoas em outro campo de trabalho, e não se desgastaria tanto?. Para todos esses comentários, uma palavra-chave: desvalorização. A depreciação da qual o professor é vítima e a negligência social por que passa somam-se a tantos outros problemas que vêm da própria sociedade. O pedagogo Paulo Freire já nos alertava sobre a visão distorcida da sociedade a respeito da educação e, em especial, dos professores: ?Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. (...) repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem ?águias? e não apenas ?galinhas?. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda?. Não tenhamos dúvidas de que desejar uma sociedade evoluída passa, primeiro, pela valorização do professor. Ele é o guardião do conhecimento porque ser professor de verdade revela-se ? numa definição poética (mas não menos realista) ? naquele que ?traz na pele a estranha mania de ter fé na vida? e nas pessoas.

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