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Opinião

Os dois milagres de Messias

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Bolsonaro venceu as eleições sem tempo de TV, sem partido estruturado de capilaridade nacional, sem enormes coligações e o mais relevante: prometendo gastar menos, ao invés de mais. Nunca acreditei que chegaria o dia de um candidato prometer aumento de 20% no Bolsa Família, do salário mínimo acima da inflação e tabelar o gás de cozinha, e mesmo assim perder a eleição. Lula teria perdido? Nunca saberemos. Mas o fato é que as promessas de Haddad não surtiram efeito. Não sejamos ingênuos, contudo. Bolsonaro prometeu também muita coisa, e, noves fora as maluquices e devaneios, prometeu operar o maior milagre da recente história democrática brasileira: acabar com o presidencialismo de coalizão. O velho modelo de ?governabilidade?, adotado pelo triunvirato republicano (MDB, PT e PSDB), onde só se governa trocando apoio no congresso por ministérios e comando de estatais, parecia ser o único possível. Bolsonaro promete fazer diferente. Mas como? Enxergo 4 possíveis respostas para esse que é o problema central do País: 1. O sucesso de Bolsonaro nas urnas aliado à renovação que ocorreu no Congresso mudaria, por algum tempo (a tal lua de mel), os interesses dos congressistas em Brasília. Não seria preciso mais comprá-los porque eles não estariam pedindo tanto em troca. 2. Bolsonaro manteria tudo como sempre foi. Faria apenas uma mudança cosmética. Colocaria nos ministérios e estatais nomes não associados à política corrupta, mas que teriam que fazer vista grossa para toda a bandalheira que acontecesse nos níveis inferiores. 3. Mudaria a forma de distribuição de verbas. Ele vem falando em ?mais Brasil e menos Brasília? e em ?reerguer a federação?. Uma possibilidade seria descentralizar os repasses, mandando mais dinheiro diretamente para as bases nos estados. Assim, Bolsonaro garantiria apoio dos corruptos sem ter de colocá-los na administração federal, o que o imunizaria frente a qualquer escândalo descoberto. 4. Tentar mudar o sistema na marra. Muito provavelmente isso levaria a um governo sem maioria, que não aprovaria as reformas necessárias e estaria sempre na corda bamba de um impeachment. Se tivesse que apostar, diria que teremos um misto dinâmico dos três primeiros cenários. Não é impossível que Bolsonaro opte pelo quarto cenário, mas, considerando seu tempo de casa, acho altamente improvável.

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