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domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
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Opinião

O conhecimento e a humildade

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Algumas posições recentes do presidente eleito ? como a questão da transferência da Embaixada do Brasil para Jerusalém e a renegociação da dívida pública dos Estados ? têm causado grande apreensão. Ainda sem chanceler, mas com um ministro preparado como Paulo Guedes, Bolsonaro poderia usar de maior prudência ao se manifestar publicamente sobre assuntos sobre os quais não tem domínio. Poderia até se inspirar em Churchill, uma de suas alegadas influências políticas. Disraeli (1804-1881), genial político judeu de ascendência portuguesa e reconhecidamente uma das maiores inspirações de Churchill, escreveu certa vez: ?Termos conhecimento de sermos ignorantes é um grande passo para o conhecimento?. Churchill foi um homem cheio de altos e baixos em sua carreira política e, embora tenha tomado pessoalmente muitas decisões capitais para o destino da humanidade, geralmente escutava seus auxiliares em posicionamentos nos quais tinha conhecimentos limitados. Recentemente, vi com estupefação em uma tarde de domingo na cidade do Porto, norte de Portugal,que só existia uma fila maior de que as observadas na tradicional pastelaria que faz ao vivo os apetitosos pastéis de bacalhau com queijo da Serra da Estrela como recheio, e aquela às portas da reverenciadíssima Igreja dos Clérigos, era a fila que, ao custo de 5 euros, aguardava ? pacientemente sob o frio de 9 graus ? visitar a tradicional livraria Lellos, uma das principais referências daquela cidade. Uma tristíssima comparação ao que ocorre no Brasil atual, quando a Livraria Cultura, a maior do País, entra em recuperação judicial e a segunda maior, a Saraiva, tenta evitar desesperadamente o mesmo destino. O presidente eleito, que já mostrou que sabe recuar, conta com pessoas muito preparadas para auxiliá-lo na dificílima tarefa que apenas se esboça no horizonte. Além de Guedes, que, embora desconheça as entranhas do serviço público e dos trâmites políticos, sabe as prioridades a serem abordadas, tem o magistrado Sérgio Moro, que prudentemente demonstrou que tem as suas posições pessoais preservadas em relação à aplicação das leis regidas pela Constituição. Instalar a embaixada brasileira em Jerusalém seria um despropósito, sem ganhos e só perdas comerciais no mercado com o mundo árabe, assim como o alinhamento automático com os EUA também o seria, nesse momento de um governo protecionista como o de Trump, que só quer tirar vantagens. Manter-se bem informado sobre essas e outras questões cruciais para a economia nacional, e para a tentativa de superar os grandes desafios nacionais, será fundamental para o presidente eleito e para o País, e nada o impede que o receba de seus auxiliares. Para isso, será necessária a virtude peregrina da humildade, tão importante quanto rara.

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