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domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
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O intrigante tremor no Pinheiro

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Desde a juventude me acompanha o predicado da curiosidade técnica que se ampliou durante os 52 anos de formatura em Engenharia Civil pela UFPE, em que me especializei em cálculo de estruturas, e ora trabalho em vistorias e perícias de edificações lesionadas, ampliando os conhecimentos com estudo contínuo de diversas áreas, como meio ambiente, geologia, hidrologia, secas, biologia, vulcanologia, oceanografia e outros saberes que são do meu interesse. O cálculo de estruturas é a paixão. Pergunto-me, há meses, sobre o que gerou o tremor de terra no bairro do Pinheiro, em Maceió. Pesquiso o que está disponível, ouço pessoas que sofrem, temerosas, seus efeitos, busco lá fora informações de grandes nomes dessa área, e tenho as minhas hipóteses decorrentes do aprendizado, tendo como base outros eventos ? não danosos ? ocorridos em Alagoas. Penso, mas não tenho meios de provar, que o evento está relacionado à água, ou a escassez dela no subsolo da região. Há centenas de poços perfurados naquela zona, uns para o abastecimento de água; outros, os poços negros, profundos, para receberem efluentes de fossas sépticas que hoje extravasam para a rede de águas pluviais de tubos de concreto que são corroídos pelo ácido sulfúrico em que se transforma o gás sulfídrico emanado de dejetos humanos. Destaque-se que águas subterrâneas não são geradas no local onde existem, sejam elas profundas ou superficiais, como as nascentes. Todas caem da atmosfera por meio de chuvas cujas nuvens se formam no oceano. Faz alguns anos que uma seca severa nos atinge e as águas subterrâneas não são repostas por infiltração, reduzindo a sua disponibilidade, sem pausar o bombeamento para abastecimento na região alvo. Tanto é assim que as nascentes outrora existentes nos bairros lagunares secaram cerca de 45 metros mais abaixo do Pinheiro. Se o nível da água baixou, o solo sofreu mudanças de em suas propriedades e, talvez, tenha deixado vazios nas profundezas. Suponho que edificações já apresentavam danos antes do tremor - inventário que deveria ter sido realizado ?, assim como podem ter surgido fissuras no solo. Após as chuvas, as águas por ali se infiltraram e, eventualmente, paredes e tetos de cavernas e veios vazios desmoronaram, causando o tremor. São conjecturas minhas. Surpreendeu-me o que consta do Diário Oficial do dia 29/10, recomendações do MP ao governador e ao prefeito, pinçadas do Relatório Sintético da CPRM ? então ele já existe ?, citando ?instabilidade do terreno?, o que, no meu entendimento, já deveria ter sido divulgado, alertando a população. Essa instabilidade gera riscos para edificações e seus usuários? Quais as ações propostas? Sob o silêncio atual, no caso de eventual acidente, de quem será a responsabilidade? Melhor atuar de forma preventiva do que como bombeiro ou necropsista. Requeiro, publicamente, que o presidente do Crea-AL (Lei 5194/66) requisite ao Ministério Público Estadual a ART do Relatório da CPRM, com o citado relatório, de forma a permitir que a comunidade técnica e a sociedade tenham acesso ao mesmo.

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