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Os diversos levantamentos sobre a violência no Brasil nos últimos têm mostrado que quase metade das mortes de adolescentes tiveram como causa o homicídio. As outras causas foram acidentes de transporte (13,9%) e suicídios (3,5%). Em Alagoas não é diferente. Reportagem publicada nesta edição mostra que, de janeiro a outubro deste ano, quase 800 pessoas entre 12 e 29 anos perderam a vida no Estado de forma violenta. O principal instrumento utilizado nas agressões costuma ser a arma de fogo. Ao longo dos últimos anos, os índices de violência de pré-adolescentes e adolescentes foram crescendo drasticamente. Entre 1993 e 2013, praticamente quadruplicaram, atingindo principalmente jovens negros. Quanto à escolaridade, 82% das vítimas de assassinatos no país têm até sete anos de estudo, o que equivale ao nível fundamental. Na faixa etária de 16 e 17 anos, 93% dos mortos são homens. Os responsáveis pelo levantamento alertam que essa tendência é incentivada pela tolerância e aceitação, tanto da opinião pública quanto das instituições encarregadas de enfrentar esse flagelo. O esquema de ?naturalização? e aceitação social da violência é operado, principalmente, pela culpabilização das vítimas, pertencentes a setores mais vulneráveis da sociedade. Dessa forma, uma determinada dose de violência, que varia de acordo com a época, o grupo social e o local, torna-se aceita e até é vista como necessária, até mesmo por pessoas e instituições que teriam a obrigação e responsabilidade de proteger as vítimas. Os principais fatores que contribuem para que essa violência aconteça incluem desigualdades econômicas e sociais agudas, normas sociais e culturais que toleram a violência, falta de políticas e legislação adequadas, serviços insuficientes para as vítimas e investimentos limitados para prevenir e responder à violência. Para o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, o combate a essa realidade passa pela discussão e implementação de um novo pacto federativo, que tenha como prioridade a proteção social e não apenas a segurança pública. Especialistas alertam que é preciso fazer um grande pacto nacional pela redução de homicídios, com foco sobre adolescentes e jovens, que têm sido mais vítimas da violência do que causadores dela. Esse debate deve ocorrer não apenas em âmbito federal, mas envolver também governos estaduais, municipais e toda a sociedade.

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