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Opinião

Nação idosa

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Nas décadas de 1970 e 1980, era comum o Brasil ser retratado como o país dos jovens, que, na época, compunham a maior parte de sua população. Estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde mostra, entretanto, que o Brasil está envelhecendo. O número de pessoas com mais de 60 anos no País deverá crescer muito mais rápido do que a média internacional. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil. A porcentagem atual, de 12,5% de idosos, deve alcançar os 30% até a metade do século. Esse fenômeno reflete o comportamento da população brasileira nas últimas décadas. Nossa taxa de natalidade está abaixo da chamada taxa de reposição ? dois filhos por casal. Enquanto a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade diminui. O resultado dessa equação é um crescimento muito rápido na proporção de idosos. O problema é que a nação ainda não está preparado para atender adequadamente os idosos, e isso tende a piorar na medida em que essa população vai crescendo e se tornando mais relevante. Na Europa, o processo de envelhecimento ocorreu de forma lenta e somente depois de um enriquecimento das nações, quando problemas de infraestrutura já haviam sido superados. Infelizmente, esse ainda não é o caso do Brasil, onde há graves problemas sociais a resolver. O Brasil ainda é um país com grande exclusão social, e os idosos formam um grupo vulnerável. Quando deixam de ser produtivos, muitos são abandonados pela família e só lhes resta viver em abrigos e asilos mantidos a duras penas por entidades religiosas e filantrópicas, na base de doações, como mostra reportagem especial da edição deste fim de semana da Gazeta. Alguns idosos ainda contam com uma pequena aposentadoria ou benefício. Outros, nem isso. O País tem, portanto, o desafio de executar políticas públicas que resultem em uma melhor qualidade de vida para a pessoa idosa e garantam a manutenção dos direitos já adquiridos. Trata-se de tirar do papel tudo aquilo que está garantido no Estatuto do Idoso. Para isso, precisa reformar seu sistema de previdência, aprimorar o Sistema Único de Saúde e a rede de assistência social, melhorar a mobilidade urbana e as condições de acessibilidade e investir também em programas e projetos que estimulem o envelhecimento saudável.

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