Opinião
O rádio não é saudosismo
Não é de hoje que espalham por aí que o digital veio para atropelar todas as demais mídias off-line, os mais tradicionais meios de comunicação. O rádio, por exemplo, seria alvo certo da avalanche dos loucos por internet. Aliás, a morte do rádio é preconizada desde os anos 50 quando do advento da televisão no Brasil. E assim vai empurrando com a barriga os seus pretensos algozes e conquistando cada vez mais audiência na preferência popular. Continua vivo e muito vivo cumprindo com altivez seu mister de ferramenta importante para levar conhecimento as comunidades. Engana-se os que pensam que ouvir rádio é coisa do passado, paixão de velhos saudosistas. Ele está presente em total harmonia com os seus fiéis ouvintes nos rincões mais improváveis. No automóvel ou na cabeceira da cama, na cozinha, nos estádios de futebol, lá ?onde Judas perdeu as botas? em algum lugar no campo e na roça, o companheiro inseparável de milhares de pessoas está entretendo, informando e passando o recado da propaganda dos anunciantes. A internet não matou a essência desse poderoso veículo de comunicação. A mudança ocorre exatamente de forma inversa. Foi o rádio quem evoluiu mais rapidamente se adaptando ao sofisticado mundo da tecnologia digital abrindo as portas para novos públicos. A Youpper, integrante de um grupo empresarial que presta serviços de análise e estratégia de mídia ao mercado publicitário, pesquisou dados simplesmente surpreendentes: As pessoas vêm consumindo o rádio a partir do momento em que o smartphone está com 90% da população e quem mais ouve são as mulheres, com 63% e homens 59%. Os jovens estão destacadamente inseridos no universo dos que têm hábito das ondas AM/FM, em breve migrando todas para a pureza do som FM. Em 13 das metrópoles brasileiras, que somam 52 milhões de habitantes, o rádio simplesmente alcança 89% dos habitantes. Portanto, vejo no rádio uma necessidade da sociedade por ser um canal aberto para ouvir e transmitir democraticamente seus anseios. É o elo de maior aproximação com o povo de todas as camadas sociais, em qualquer dia, todas as horas. Essa resposta de audiência é tão verdadeira que o investimento publicitário vem crescendo bastante, segundo dados do GAV (Gross Advertising Value), do Katar Ibope Media. Em 2017, as emissoras brasileiras tiveram um faturamento bruto de R$ 6,063 bilhões com publicidade, um share de 4,5% - participação de toda a mídia comprada no ano - Mais de R$ 1,2 bilhão em relação a 2016. A tendência de crescimento se confirma ao fechar o primeiro semestre deste ano com R$ 3,037 bilhões com inserções, contra R$ 2,809 bilhões no mesmo período do ano passado. É o quinto meio no ranking de investimentos publicitários. A força do rádio é comprovada em todas as pesquisas realizadas pela versatilidade podendo ser acessado através de aplicativo e outras plataformas da WEB. Como fanático por rádio o elego como construtor de novas amizades, um companheiro fiel nas noites de insônia, um terapeuta que cura solidão.