Opinião
Qual democracia?

Neste ano de 2018 realizou-se a oitava eleição para a presidência do país, desde a redemocratização brasileira, com a ascensão da Nova República, em 1985, e a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves, pelo Congresso Nacional, como primeiro presidente civil após o golpe de 64. Posteriormente a derrota da campanha civilista das Diretas Já, em 1984, ocorreu, em 1989, a primeira eleição direta para a presidência desde 1960, em pleito isolado, que elegeu, democraticamente, o alagoano Fernando Collor de Mello para o Palácio do Planalto. De lá para cá foram eleitos republicana e constitucionalmente, os presidentes Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, Luis Inácio Lula da Silva, em 2002 e 2006 e Dilma Rousseff em 2010 e 2014. A normalidade democrática foi então interrompida por um impeachment assemelhado a um golpe. A história se repete em 2016. Em 1992 tivemos o nosso primeiro presidente eleito pós-ditadura, cassado sem provas concretas, que levou o STF a absolver o Presidente Collor duas vezes, por unanimidade, quando o judiciário ainda tinha um mínimo de credibilidade. Detalhe: esta absolvição ocorreu com 10 anos de atraso! O processo eleitoral de 2018 perdeu sua legitimidade, no momento em que uma presidenta eleita foi cassada sem ter cometido crime de responsabilidade e com a prisão do principal candidato as eleições deste ano preso, sem uma única prova concreta que justificasse sua prisão.
