Opinião
A PRAÇA NÃO TEM DONO
O despertar do irmão sol traz consigo os primeiros raios avermelhados energizando o novo dia. O vai e vem da rede na varanda recebe o sopro da brisa da madrugada na ternura silenciosa do amanhecer. No jardim repleto de flores coloridas, o beija-flor voa rasante, para no ar, escolhe a mais perfumada, sugando-lhe o primeiro alimento do dia. No alto das árvores, os bem-te-vis ignoram a ameaça do gavião predador cantando felizes porque para eles a vida é uma festa. Sentimento esquecido por homens cuja vaidade é filosofia de vida cercados por bajuladores da vez. Não aceitam argumentos contraditórios. O orgasmo dos seus egos nem sempre é o melhor para uma comunidade inteira. Um balanço na rede contemplando a liberdade dos pássaros no alvorecer acalma os avexados indomáveis. Sedativo para ansiosos por holofotes. A discordância não pode ter contornos de agressão moral de qualquer espécie. No esconderijo das redes sociais é a pior das covardias! Pouco importa o tamanho da questão. Sem humildade e com bazófia, argumentos fundamentados em conceitos verdadeiros, a discussão é desrespeitosa, de ambos os lados. Soterrar a memória de um povo é insensato. História é cultura! A ameaça de acabar com o resto de esperança de revitalização da Praça das Casuarinas, em Palmeira dos Índios, virou uma polêmica antecivilizada, fora de contexto. A praça embelezou, deu ar puro à vizinhança. Por décadas encantou pela imponência das árvores e a sonoridade da orquestra de cigarras nos finais de tarde. Morreu de inanição esquecida por ?gaviões? predadores que ignoraram o sentido da convivência comunitária. Agora, a edificação de um prédio no meio da praça é a proposta. Não se discute a importância social da obra, apenas que o local é impróprio. A cidade é carece de área verde, arborização, praças verdadeiras, oxigênio natural, espaço de integração comum. Questionam-se a existência de dois projetos anteriores engavetados por serem originários de outras gestões. Surto de Mesquinhez. Só o diálogo pacífico, coerente despido de orgulhos pessoais pode aliviar a insatisfação popular. Um prédio ali erguido neutralizará circulação de ar, sufocará os moradores justo num ambiente vocacionado para ser o ponto de encontro para lazer das pessoas. Só o balanço da rede e o sopro da brisa matinal para esfriar a cabeça dessa gente. Sentar à mesa: povo, oposição e governo, democraticamente, sem o ranço da disputa intolerante. Ainda é tempo de salvar almas, deixando-as escolher o seu paraíso. Imagina a Praça das Casuarinas voltando a ser praça com proposta para exposições de artes; feirinha de artesanato aos domingos gerando renda e estimulando o artesão local; espaço para talentos da música mostrarem seu valor. Imagina arborização, iluminação decente, cantinho de famílias e amigos fortalecendo o convívio entre si. A praça é um bem de uso comum do povo. Não pode ter um único dono. O Poder Público municipal não pode dispor da praça sem atentar ao que determinam os arts. 2º, inciso II e 43 da Lei do Meio Ambiente Artificial. Ah, Praça das Casuarinas! Quem sabe e essa briga de comadres não lhe fará ressuscitar acolhendo de novo os palmeirenses saudosos de você.