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sábado, 30/08/2025 | Ano | Nº 6044
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A diplomação e a democracia direta

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Foi diplomado o presidente eleito Jair Bolsonaro, depois de eleito com uma maioria relevante de votos. Eleito com a bandeira de uma nova moralidade pública, com a garantia luminescente do alvorecer da honestidade na política, de uma prática desprovida de interesses subalternos, reluzentemente liberada de desvios éticos e prodigiosa no saneamento das entranhas poluídas da corrupção. A diplomação teve como destaque de seu discurso uma canetada desnecessária na mídia: no ?novo tempo?, o seu governo, ?o poder popular não precisa mais de intermediários?, fazendo questão de especificar que falava ?das novas mídias que permitem uma relação direta entre o leitor e seu representante?. As novas mídias são importantes, vieram para ficar e foram determinantes em sua eleição, mas carregam imenso perigo: a divulgação rápida e irresponsável, muitas vezes paga, de mentiras, manipulações, falsificações grosseiras dos fatos, tanto a favor como contra. O efeito é deletério e pode se transformar em uma guerra sangrenta. Uma frase atribuída ao senador americano Hiram Johnson resume: ?Em uma guerra, a primeira vítima é sempre a verdade?. O ?novo tempo? não pode se transformar no Paraíso do ?fake news? na internet. É deveras preocupante que o futuro presidente considere prescindível a ?intermediação? para o exercício do ?poder popular?. O parágrafo único do artigo 1º da Constituição diz que ?todo poder emana do povo? que o exerce ?por meio de representantes eleitos?, portanto a democracia brasileira é representativa, isto é, tem como princípio justamente a intermediação. Parece ficar proposto uma perspectiva de exercício do poder através de uma interação das redes sociais em pressão direta sob os políticos, um flerte com a democracia direta, uma forma perigosa na qual se dispensam as instituições, em especial o Congresso. Visualização populista, na qual o submundo da internet, ambiente onde proliferam notícias falsas e mentiras de toda a espécie e onde o diálogo e o contraditório inexistem, e ganha quem gritar mais alto e for mais grosseiro e agressivo, deve preponderar e dominar. Um raciocínio político que prosperou principalmente na forma do recurso sistemático às consultas populares, usadas abusivamente pelo bolivarianismo venezuelano e que o levou ao caos atual. Essas consultas são previstas na Constituição brasileira, desde que convocadas pelo Congresso. A democracia direta bolivariana levou ao esmagamento da minoria, desabando na ditadura chavista. Foi preclara a ministra Rosa Weber, presidente do TSE, destacando naquela ocasião: ? Em uma democracia (...), maioria e minoria, como protagonistas relevantes do processo decisório, hão de conviver sob a égide dos mecanismos constitucionais destinados ao amplo debate?. Finalizando: ?A democracia, não nos esqueçamos, repele a noção do pensamento único; a essência da democracia é a convivência dos opostos?. A nação rejeitou o autoritarismo/populismo lulopetista, um edificante exemplo que serve para todos os extremos e populismos.

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