Opinião
Legião de excluídos

Dados divulgados pelo IBGE este mês mostram que o número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população em 2016 para 7,4% em 2017, ao passar de 13,5 milhões para 15,2 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia ou R$ 140 por mês. Segundo o IBGE, o crescimento do percentual nessa faixa subiu em todo o País, com exceção da Região Norte onde ficou estável. A pesquisa identificou que em 2017 cerca de 27 milhões de pessoas, ou seja, 13% da população, viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas: características físicas, condição de ocupação, acesso a serviços e presença de bens no domicílio. Em relação a Alagoas, o levantamento do IBGE revela que 26,1% da população ? ou mais de 800 mil pessoas ? se encontra em situação de pobreza. Já a pobreza extrema atinge cerca de 53 mil alagoanos, que vivem em condições muito precárias, como mostra reportagem especial publicada na edição deste fim de semana da Gazeta. Nos últimos anos, o Brasil estabeleceu uma rede de proteção social, por meio de diversos programas, que provocaram uma pequena revolução. Em 2014, o País saiu da lista da fome, quando foram divulgados os índices da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, pesquisa realizada a cada cinco anos. Os dados mostravam que, em 2013, cerca de 3,2% da população, aproximadamente 3 milhões de domicílios, viviam em situação de insegurança alimentar grave ? índice mais baixo que o Brasil o país atingiu. A queda representou 28,8% em relação a 2009, quando 5% da população brasileira vivia em situação de intensa privação de alimentos. Entretanto, o agravamento do desemprego e a precarização do trabalho ameaçam jogar o País novamente no mapa da fome. Após 13 anos de queda consecutiva, a taxa de mortes de crianças antes de completar um ano de vida cresceu 11% entre 2016 e 2017. Já o percentual de crianças menores de cinco anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1% no período. Reverter esse exige, primeiramente, que o País volte a crescer vigorosamente e a gerar empregos. Além disso, é preciso fortalecer a rede de proteção social para que todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para viver com dignidade. São desafios que ficam para o próximo governo.