Opinião
Época especial
Nos próximos dias, em todo o mundo, pessoas de todo o mundo estarão comemorando o Natal. Para os cristão, a festa significa a celebração da encarnação de Deus na história humana, por meio de um menino nascido humildemente na distante Palestina, na pequenina Belém da Judeia. Embora seja pouco provável que Jesus tenha nascido no dia 25 de dezembro, a data se firmou de vez a partir do século IV. Mesmo para quem não professa a fé cristã, o período de Natal tem sido ou deveria ser uma época propícia para a celebração familiar e entre amigos, momento de reflexão, paz, tolerância, solidariedade, altruísmo. A prática tem mostrado, entretanto, que tudo parece não passar de mero formalismo, pois, passado esse período, tudo volta a ser o que era, sem sinal de que houve alguma mudança. A exclusão social, o preconceito sob diversas formas, a violência e outras manifestações negativas na vida social estão aí para provar. Além disso, nas últimas décadas o chamado ?espírito de Natal? parece ter perdido espaço para o espírito consumista. Natal virou a época de trocar presentes, de renovar o guarda-roupa, de enfeitar a casa. Com o incentivo do décimo terceiro salário, tornou-se o melhor período para o comércio, seguido pelo Dia das Mães e o Dia das Crianças. Até os símbolos do Natal sofreram mudanças ao longo do tempo. A figura do Papai Noel, por exemplo, foi inspirada em um bispo turco chamado Nicolau ? posteriormente canonizado pela Igreja Católica ?, que, na véspera do Natal, costumava deixar moedas próximas às chaminés das pessoas mais necessitadas. A partir do século 20, o ?bom velhinho? virou símbolo de festas e troca de presentes e, na década de 1930, foi adotado como garoto-propaganda de uma famosa marca de refrigerante. Foi aí que o personagem ganhou o formato atual, incluindo a vestimenta vermelha, que antes era verde. Que o Natal continue como um grande período de festa e confraternização, mas que não se percam os valores maiores que a data representa, sobretudo a solidariedade e que esta não fique restrita a essa época, mas seja uma prática constante durante todo o ano. Num país tão desigual como o Brasil, é algo que não pode faltar em nenhum momento.