Opinião
O ABRA�O
DOM FERNANDO IÓRIO * Quem pode negar? Nossa sociedade, em que pese o jogo da violência, vem manifestando o amor, a amizade, a fraternidade, através de inúmeras atitudes e incontáveis expressões que revelam emoções e afetos. Psicólogos, espiritualistas e religiosos estiveram à procura de algo, que estivesse ao alcance de nossas mãos, capaz de nos rejuvenescer, capaz de prolongar o nosso bom humor, de aliviar nossas tensões, de curar nossas depressões, algo que nos ajudasse a ressonar no travesseiro da noite. O remédio está à nossa disposição, de maneira gratuita. Talvez custe o obstáculo do orgulho, da auto-suficiência, da rejeição à dependência do outro. A medicina do abraço é miraculosa. O abraço, sinal de afetividade e carinho, é capaz de ajudar o ser humano a viver mais tempo, protegendo-o contra certas doenças, reduzindo a depressão e fortificando os laços emocionais e familiares. Não poucos psicólogos chegaram a precisar o abraço como redutor de depressão e regulador do sistema imunológico da pessoa. Orientadores espirituais não deixam de asserir que o abraço injeta nova energia nos corpos cansados e fatigados, sentindo-se as pessoas abraçadas mais, revigoradamente, felizes. O abraço amigo aumenta, significativamente, a hemoglobina na pessoa abraçada. Quanto mais sincero é o abraço, mais estimulador se torna. Até os vencidos, que não podem, às vezes, contar sua história para a História, levantam-se, erguem-se, sentem que são considerados pelo abraço de alguém. Na própria celebração eucarística, todos, que participam da Missa, são convidados a se abraçarem, num desejo de paz. Conheci, faz cinco anos, feliz religiosa, com seus 78 anos de vida, jubilosa a afirmar: ?Como é bom a gente ter 78 anos para poder abraçar qualquer pessoa e ninguém falar mal. Como sou feliz por poder abraçar a quantos chegam à portaria desta Casa de formação!? O abraço amigo e sincero prolonga a vida, cura a depressão e estimula a vontade de viver e crescer na vida. Não é debalde estar Jesus Cristo de braços abertos, no alto da Cruz, esperando o abraço da humanidade, o abraço de cada ser humano. A alguém já perguntaram: - De quantos abraços você precisa por dia? ? De quatro ? para sobreviver; de oito para manter-me vivo; de 12 para prosperar. Estou em que um único abraço sincero e amigo restabelece as energias dos homens e das mulheres criados à imagem e semelhança de Deus. Se você, meu leitor, permite: Considere-se abraçado por mim, ainda que eu não o conheça. Trata-se do meu abraço pascal. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS