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Opinião

Não poderia ser diferente?

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Nossa expectativa é muito superior. Não compactua com atitudes tolas, infantis, amadoras para a dimensão do cargo. Não foi para isso que a imensa maioria de votantes brasileiros desesperançados apostaram no discurso destemperado. Está parecendo aquele rapagão de um metro e oitenta de altura que só fala e pratica tolices. Vimos muito isso na nossa adolescência. Nossos pais diziam: ?esse moço só tem tamanho, age como criança?. Já passou da hora de tocar fogo no palanque de campanha, parar de bravatas, pôr a bola no chão. Não temos mais tempo a perder com basbaquice. Os problemas são graves e não dá para ficar atacando adversários do passado com rancor, ameaças e referência para tudo o que não presta. É hora de amadurecer e entender que as mazelas que se foram todos nós já sabemos e conhecemos. Para que ficar relembrando a todo instante? Não dá para ficar debatendo o fracasso dos outros quando nos foi dada a missão para promover a mudança construindo um novo tempo. Na agenda de debates priorize-se a economia que urge encontrar um porto seguro para colocar o Brasil na retomada do desenvolvimento e do emprego. Ponham-se na mesa de discussão os gravíssimos problemas da saúde, uma vergonha nacional onde só os ricos e muito ricos têm acesso a médico e hospitais com dignidade. Os assalariados e miseráveis estão jogados no chão dos corredores morrendo à míngua, entregues à própria infelicidade de um estado desumano. São milhões de crianças e adolescentes fora das salas de aula porque a educação, a formação dos jovens simplesmente se transformou em discurso politiqueiro, pouco de real, muito de loucura. Um show midiático! Fala-se de tudo o que é maluquice, menos na valorização do professor e proposta de melhoria. Quando o primeiro grande decreto assinado por um novo governo é conceder o porte de arma para a população, não creio que a maioria esteja feliz. É enganoso o discurso de que foi um pedido do povo. Pesquisa do Instituto Ideia Big Data, em dezembro, aponta que apenas 8% têm interesse em adquirir algum armamento. 70% dos brasileiros não querem comprar. No Sul, 75%, e o Sudeste, 73%, afirmaram que não pretendem comprar armas. Também em dezembro outra pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 61% dos brasileiros querem que a posse de armamento seja proibida no país. O levantamento ouviu 2.077 pessoas em 130 municípios em todas as regiões. Como então esse arroubo? ?O povo decidiu comprar armas, não podemos negar?. Não é verdade, o povo não pediu como apontam todas as pesquisas. ?A Segurança Pública, é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos?, Art. 144 da Constituição. Especialistas afirmam, inclusive, que ter uma arma em casa aumenta a chance de assassinato, suicídio ou acidente. Aliás, não é preciso ir muito longe nessa viagem de alucinações, quando se ouve de autoridades que, ?o risco de uma arma é igual ao de uma criança machucar o dedo no liquidificador? ou que ?a posse da arma de fogo pode ter as mesmas consequências de possuir um automóvel?. Basta de trapalhada, vamos governar. É isso que o povo quer.

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