loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Os militares e os políticos

Ouvir
Compartilhar

Iniciava-se o regime militar de 1964, Castelo Branco, era o presidente, e o general Geisel o seu chefe de gabinete, quando seu sobrinho ,jovem e prendado economista o procurou para informá-lo que recebera um convite do ministro da Fazenda, Roberto Campos, para trabalhar em seu gabinete. Geisel foi-lhe direto e seco: ? não aceite , porque senão eu terei que pedir ao ministro que o despeça?. Geisel, muitos anos depois, já como presidente, foi o fiador da abertura democrática no País e para tal, enfrentou a linha dura do Exército,que teimava em trilhar um caminho oposto,causando insubordinações nos quartéis e atentados públicos como o Riocentro. O general Mourão, vice-presidente da República,embora não tenha conseguido emular Geisel em episódio recente, há de se louvar o seu bom senso em sua curta passagem pela presidência. Enquanto Bolsonaro, na Suíça, se valia da companhia de Moro para respaldar a sua plataforma político-eleitoral de fazer um governo ético, de combate à corrupção e a impunidade, o caso de seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro, se complicava e lhe causava incontestável constrangimento, ao ponto de obrigá-lo a admitir : ?que se comprovassem as acusações contra ele, deveria pagar pelo que fez?; o esperado em se tratando de um paladino da ética, do combate ao crime e à corrupção. Ainda surgiam evidências extremamente constrangedoras de associação do malfadado Queiroz, auxiliar de confiança do filho Flávio Bolsonaro, com o que existe de mais estruturado no crime organizado no Rio de Janeiro: as milícias e seus braços políticos e policiais, uma das maiores causas da sua altíssima criminalidade e fonte fundamental da Intervenção Militar das Forças Armadas naquele estado, motivo de total apoio popular, como de altíssimo custo para os cofres públicos. O general Mourão em outros momentos lembrou a figura respeitável de Geisel: quando exteriorizou a sensata opinião de que a Posse de Armas liberada pelo governo em nada melhoraria a segurança pública, era apenas um cumprimento de promessa de campanha de Bolsonaro para parcela de seus eleitores, como também quando afirmou que o governo não estaria envolvido na eleição do Senado. Mas a ala política está, inevitavelmente, e em jogo nessa eleição, estão preciosas promessas da campanha de Bolsonaro, como o combate à corrupção e à impunidade, pois a Prisão em Segunda Instância está represada na sua CCJ e o seu futuro vai depender do que ocorrer nessa sua eleição. Bolsonaro voltou a alertar acertadamente em Davos: ?Se o seu governo não der certo, a esquerda volta ao poder?, urge então fazer o indispensável: esclarecer concretamente a situação do filho Flávio, fonte inesgotável de fragilização de sua gestão e das indispensáveis reformas nacionais. Os militares que compõem o governo certamente estarão mirando no exemplo de Geisel e não compactuarão com desvios já historicamente abjurados.

Relacionadas