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Opinião

Lição não aprendida

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Em novembro de 2015, acontecia o maior desastre ambiental do País: o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, pertencente à Vale, no município de Mariana, em Minas Gerais ? que vitimou 19 pessoas e deixou localidades arrasadas e centenas de desabrigados. Nessa sexta-feira (25), mais uma barragem da Vale se rompeu, desta vez na cidade de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Uma avalanche de lama e rejeitos de mineração devastou parte da comunidade da Vila Ferteco. O número de vítimas ainda é incerto, mas estima-se que o dano ambiental seja maior do que o caso de Mariana. Pelo jeito, não se aprendeu nada com a tragédia anterior. Como ocorreu há pouco mais de três anos, mais uma vez o acidente deixa à mostra a situação de absoluta insegurança hídrica do Brasil se encontra. Barragens de dejetos são locais onde ficam depositados os restos, as impurezas e os produtos químicos utilizados nos processos de mineração. São o equivalente aos lixões ou aterros sanitários onde são depositados os resíduos sólidos produzidos nas grandes cidades. Por isso, parece inconcebível autorizar a instalação de algo tão perigoso rio acima de onde dezenas de cidades retiram água para o abastecimento de milhares de pessoas. É preciso responsabilizar e autuar todos os envolvidos, na esfera privada e pública, e mobilizar diferentes setores da sociedade para construir segurança hídrica e ambiental no Brasil. O País precisa do setor mineral, mas o interesse econômico não deve se sobrepor aos interesses da população e à proteção ao meio ambiente. Já que o dano foi feito, que pelo menos se aproveite a oportunidade para rever toda a legislação, melhorar a fiscalização e endurecer as obrigações e as penalidades para as empresas. Causa preocupação, portanto, declarações recentes de integrantes da equipe do presidente Jair Bolsonaro com críticas à política ambiental e ao rigor nas fiscalizações. É uma visão que vai na contramão do resto do mundo, cada vez mais preocupado com o meio ambiente. A fiscalização rigorosa evitaria novas tragédias. É preciso pensar além da questão econômica, de olho nas divisas e nos royalties que a atividade costuma gerar em boa quantidade. É fundamental levar em conta também as reivindicações das organizações ambientalistas e dos movimentos populares quanto aos impactos socioambientais provocados pela atividade minerária.

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